CHEGUE NA PAZ

22 de jun. de 2011

Partida ou chegada?

Henry Sobel, por ocasião da morte de Mário Covas contou a seguinte parábola: Quando observamos, da praia, um veleiro a afastar-se da costa, navegando mar adentro, impelido pela brisa matinal, estamos diante de um espetáculo de beleza rara. O barco, impulsionado pela força dos ventos, vai ganhando o mar azul e nos parece cada vez menor.

Não demora muito e só podemos contemplar um pequeno ponto branco na linha remota e indecisa, onde o mar e o céu se encontram.

Quem observa o veleiro sumir na linha do horizonte, certamente exclamará: "já se foi". Terá sumido? Evaporado? Não, certamente.
Apenas o perdemos de vista. O barco continua do mesmo tamanho e com a mesma capacidade que tinha quando estava próximo de nós. Continua tão capaz quanto antes de levar ao porto de destino as cargas recebidas.
O veleiro não evaporou, apenas não o podemos mais ver.

Mas ele continua o mesmo. E talvez, no exato instante em que alguém diz: "já se foi", haverá outras vozes, mais além, a afirmar:
"lá vem o veleiro"!!!

Assim é a morte.

Quando o veleiro parte, levando a preciosa carga de um amor que nos foi caro, e o vemos sumir na linha que separa o visível do invisível dizemos:
"já se foi".

Terá sumido? Evaporado? Não, certamente. Apenas o perdemos de vista.

O ser que amamos continua o mesmo, suas conquistas persistem dentro do mistério divino. Nada se perde, a não ser o corpo físico de que não mais necessita.

E é assim que, no mesmo instante em que dizemos: "já se foi", no além, outro alguém dirá: "já está chegando". Chegou ao destino levando consigo as aquisições feitas durante a vida.

Na vida, cada um leva sua carga de vícios e virtudes, de afetos e desafetos, até que se resolva por desfazer-se do que julgar desnecessário.

A vida é feita de partidas e chegadas. De idas e vindas. Assim, o que para uns parece ser a partida, para outros é a chegada.

Assim, um dia, todos nós partimos como seres imortais que somos todos nós ao encontro daquele que nos criou.

Sinto vergonha de mim - Rui Barbosa

O poema de Rui Barbosa, transcrito a seguir, é de uma impressionante atualidade. Poderia ter sido escrito hoje sem mudar uma palavra...

Sinto vergonha de mim

Sinto vergonha de mim por ter sido educador de parte desse povo, por ter batalhado sempre pela justiça, por compactuar com a honestidade, por primar pela verdade e por ver este povo já chamado varonil enveredar pelo caminho da desonra.

Sinto vergonha de mim por ter feito parte de uma era que lutou pela democracia, pela liberdade de ser e ter que entregar aos meus filhos, simples e abominavelmente, a derrota das virtudes pelos vícios, a ausência da sensatez no julgamento da verdade, a negligência com a família, célula-mater da sociedade, a demasiada preocupação com o "eu" feliz a qualquer custo, buscando a tal "felicidade" em caminhos eivados de desrespeito para com o seu próximo.

Tenho vergonha de mim pela passividade em ouvir, sem despejar meu verbo, a tantas desculpas ditadas pelo orgulho e vaidade, a tanta falta de humildade para reconhecer um erro cometido, a tantos "floreios" para justificar atos criminosos, a tanta relutância em esquecer a antiga posição de sempre "contestar", voltar atrás e mudar o futuro.

Tenho vergonha de mim pois faço parte de um povo que não reconheço, enveredando por caminhos que não quero percorrer...

Tenho vergonha da minha impotência, da minha falta de garra, das minhas desilusões e do meu cansaço.

Não tenho para onde ir pois amo este meu chão, vibro ao ouvir meu Hino e jamais usei a minha Bandeira para enxugar o meu suor ou enrolar  meu corpo na pecaminosa manifestação de nacionalidade.

Ao lado da vergonha de mim, tenho tanta pena de ti, povo brasileiro!

"De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto".

20 de jun. de 2011

Conheça Ryan Hreljac

O menino que tirou a sede de meio milhão de africanos.

Ryan nasceu no Canadá em maio de 1991.

Quando pequeno, na escola, com apenas seis anos, sua professora lhes falou sobre como viviam as crianças na África.

Profundamente comovido ao saber que algumas até morrem de sede, que não há poços de onde tirar água, e pensar que a ele bastavam alguns passos para que a água saísse da torneira durante horas. Ryan perguntou quanto custaria para levar água a eles. A professora pensou um pouco, e se lembrou de uma organização chamada WaterCan, dedicada ao tema, e lhe disse que um pequeno poço poderia custar cerca de 70 dólares.

Quando chegou em casa, foi direto a sua mãe Susan e lhe disse que necessitava de 70 dólares para comprar um poço para as crianças africanas.

Sua mãe disse-lhe que ele deveria consegui-los e foi-lhe dando tarefas em casa com as quais Ryan ganhava alguns dólares por semana. Finalmente reuniu os 70 dólares e pediu à sua mãe que o acompanhasse à sede da WaterCan para comprar seu poço para os meninos da África. Quando o atenderam, disseram-lhe que o custo real da perfuração de um poço era de 2.000 dólares.

Susan deixou claro que ela não poderia lhe dar 2.000 dólares por mais que limpasse cristais durante toda a vida, porém Ryan não se rendeu. Prometeu aquele homem que voltaria… e o fez. Contagiados por seu entusiasmo, todos puseram-se a trabalhar: seus irmãos, vizinhos e amigos. Entre todo o bairro conseguiram reunir 2.000 dólares trabalhando e fazendo mandados e Ryan voltou triunfante a WaterCan para pedir seu poço.

Em janeiro de 1999 foi perfurado um poço em uma vila ao norte de Uganda. À partir daí começa a lenda. Ryan não parou de arrecadar fundos e de viajar por meio mundo buscando apoios. Quando o poço de Angola estava pronto, o colégio começou uma correspondência com as crianças do colégio que ficava ao lado do poço, na África.

Assim Ryan conheceu Akana: um jovem que havia escapado das garras dos exércitos de meninos e que lutava para estudar a cada dia. Ryan sentiu-se cativado por seu novo amigo e pediu a seus pais para ir vê-lo. Com um grande esforço econômico de sua parte, os pais pagaram sua viagem a Uganda e Ryan, em 2000, chegou ao povoado onde havia sido perfurado seu poço. Centenas de meninos dos arredores formavam um corredor e gritavam seu nome.
- Sabem meu nome? - Ryan perguntou a seu guia.
- Todo mundo que vive 100 quilômetros ao redor sabe, ele respondeu.

Hoje em dia, Ryan com 20 anos, tem sua própria fundação e conseguiu levar mais de 400 poços à África. Encarrega-se também de proporcionar educação e de ensinar aos nativos a cuidar dos poços e da água. Recolhe doações de todo o mundo e estuda para ser engenheiro hidráulico. Ryan tem-se empenhado em acabar com a sede na África.
http://www.ryanswell.ca/

Se, por um instante...

Se, por um instante, Deus se esquecesse de que sou uma marionete de trapo e me presenteasse com um pedaço de vida, possivelmente não diria tudo o que penso, mas, certamente, pensaria tudo o que digo.

Daria valor às coisas, não pelo que valem, mas pelo que significam.

Dormiria pouco, sonharia mais, pois sei que a cada minuto que fechamos os olhos, perdemos sessenta segundos de luz.

Andaria quando os demais parassem, acordaria quando os outros dormem.

Escutaria quando os outros falassem e gozaria um bom sorvete de chocolate.

Se Deus me presenteasse com um pedaço de vida, vestir-me-ia com simplicidade, deitar-me-ia de bruços no solo, deixando a descoberto não apenas meu corpo, como minha alma.

Deus meu, se eu tivesse um coração, escreveria o meu ódio sobre o gelo e esperaria que o sol saísse.

Pintaria, com um sonho de Van Gohg, sobre estrelas, um poema de Mário Benedetti e uma canção de Serrat seria a serenata que ofereceria à Lua.

Regaria as rosas com as minhas lágrimas para sentir a dor dos espinhos e o encarnado beijo de suas pétalas.

Deus meu, se eu tivesse um pedaço de vida, não deixaria passar um só dia sem dizer às gentes: amo-vos...

Convenceria cada mulher e cada homem que são os meus favoritos e viveria apaixonado pelo amor.

Aos homens, provar-lhes-ia como estão enganados ao pensarem que deixam de apaixonar-se quando envelhecem, sem saber que envelhecem quando deixam de se apaixonar.

A uma criança, dar-lhe-ia asas, mas deixaria que aprendesse a voar sozinha.

Aos velhos, ensinaria que a morte não chega com a velhice, mas com o esquecimento.

Tantas coisas aprendi com vocês, os homens...

Aprendi que toda a gente quer viver no cimo da montanha, sem saber que a verdadeira felicidade está na forma de subir a escarpa.

Aprendi que, quando um recém-nascido aperta, com a sua pequena mão, pela primeira vez, o dedo de seu pai, o torna prisioneiro para sempre.

Aprendi que um homem só tem o direito de olhar um outro de cima para baixo para ajudá-lo a levantar.

São tantas as coisas que pude aprender com vocês, mas, finalmente, não poderão servir muito porque quando me olharem dentro dessa maleta, infelizmente estarei morrendo.

Gabriel Garcia Márquez

Quando tudo começa no fim...

Todas as vezes que o diabo disse a alguém:
“É o fim”. Ali, na verdade, era o começo dos melhores dias.

O diabo disse a José na cisterna do deserto:
“É o Fim”.
E Deus disse:
“É o começo José, o Governo do Egito te espera".

O diabo disse para Moisés no deserto de Sim:
“É o fim!”.
E Deus disse:
“É o começo. Transformar-te-ei no libertador do meu povo”.

O diabo disse a Josué na batalha de Jericó:
“É o fim”.
E Deus disse:
“É o começo. Onde puseres a planta de vossos pés, te darei como herança”.

O diabo disse a Davi através do gigante Golias:
“É o fim”.
E Deus disse:
“É o começo. Serás chamado homem segundo o meu coração e Rei de Israel”.

O diabo Disse a Ester no tempo de escravidão:
“É o fim!”.
E Deus disse:
“É o começo. Transformar-te-ei na rainha dos Medos e dos Persas”.

O diabo disse a Sadraque, Mesaque e Abedenego na fornalha de fogo:
“É o fim!”.
E Deus disse:
“É o começo. Vocês serão grandes governadores da Babilônia!”.

O diabo disse a Jó:
“É o fim. Com fúria me levantarei contra ti e te destruirei”.
E Deus disse:
“É o começo. Trarei restituição e paz sobre a tua vida”.

O diabo disse a Daniel na cova dos leões:
“É o fim”.
E Deus disse:
“É o começo. Sua história mudará o mundo”.

O diabo disse a Jonas na barriga de um peixe:
“É o fim!”.
E Deus disse:
“É o começo, Nínive será salva através da tua pregação”.

O diabo disse a João, exilado na ilha de Patmos:
“É o fim!”.
E Deus disse:
“É o começo, você escreverá a maior revelação de todos os tempos: O Apocalipse”.

O diabo disse a Jesus, morto na cruz:
“É o fim!”.
E Deus disse:
"É o começo. Pai, todo o poder no céu e na terra eu entrego nas tuas mãos”.

Por isso, se o diabo disser a você que “É o fim!”
Comece a dar glória a Deus e aleluia.
Porque Deus está dizendo: “É o começo”.

O diabo não tem o poder de decretar o fim de nenhum filho de Deus.
“O sofrimento não é o fim, mas o começo para todos os que crêem”.

Que o Deus de Paz, Shalom, te abençoe e te guarde.

Vídeo: Cura, Senhor...

19 de jun. de 2011

As sementes


Um homem morava numa cidade grande e trabalhava numa fábrica. Todos os dias ele viajava cinqüenta minutos, de ônibus, para ir ao trabalho. No ponto seguinte ao dele entrava uma senhora, que procurava sempre sentar na janela.



Ela abria a bolsa, tirava um pacotinho e passava a viagem toda jogando alguma coisa para fora do ônibus. A cena sempre se repetia e um dia, curioso, o homem lhe perguntou o que jogava pela janela.
- Jogo sementes, respondeu ela.
- Sementes? Sementes de quê?
- De flor. É que eu olho para fora e a estrada é tão vazia... Gostaria de poder viajar vendo flores coloridas por todo o caminho. Imagine como seria bom!
- Mas as sementes caem no asfalto, são esmagadas pelos pneus dos carros, devoradas pelos passarinhos... A senhora acha mesmo que estas flores vão nascer aí, na beira da estrada?
- Acho, meu filho. Mesmo que muitas se percam, algumas acabam caindo na terra e com o tempo vão brotar.
- Mesmo assim... demoram para crescer, precisam de água...
- Ah, eu faço minha parte. Sempre há dias de chuva. E se eu não jogar as sementes, aí mesmo é que as flores nunca vão nascer.
Dizendo isso, a velhinha virou-se para a janela aberta e recomeçou seu “trabalho”. O homem desceu logo adiante, achando que a senhora já estava meio “caduca”. O tempo passou.


Um dia, no mesmo ônibus, sentado à janela, o homem levou um susto ao olhar para fora e ver flores na beira da estrada... Muitas flores...

A paisagem estava colorida, perfumada, linda!



O homem lembrou-se da velhinha, procurou-a no ônibus e acabou perguntando para o cobrador, que conhecia todo mundo.
- A velhinha das sementes? Pois é... Morreu de pneumonia no mês passado.
O homem voltou para o seu lugar e continuou olhando a paisagem florida pela janela.
“Quem diria, as flores brotaram mesmo”, pensou.
“Mas de que adiantou o trabalho da velhinha? A coitada morreu e não pode ver esta beleza toda.”
Nesse instante, o homem escutou uma risada de criança. No banco da frente, uma garotinha apontava pela janela, entusiasmada:
- Olha, que lindo! Quanta flor pela estrada... Como se chamam aquelas flores?
Então, o homem entendeu o que a velhinha tinha feito. Mesmo não estando ali para contemplar as flores que tinha plantado, a velhinha devia estar feliz. Afinal, ela tinha dado um presente maravilhoso para as pessoas.
No dia seguinte, o homem entrou no ônibus, sentou-se numa janela e tirou um pacotinho de sementes do bolso...

Jogue também suas sementes...
Pouco importa se verás as flores!
Com certeza ALGUÉM verá...!

TITANIC - Como nasce uma lenda

TITANIC

Nacionalidade: Britânica
Armador: White Star Line
Construtor: Harland and Wolff Yards (Belfast)
Início construção: 31 de março de 1909
Lançado ao mar: 31 de maio de 1911
Viagem inaugural: 10 de abril de 1912

Peso: 46.329 t
Comprimento: 269 m
Largura: 28.2 m
Potência: 29 caldeiras “Huge", 2 motores alternativos com 4 cilindros
(três velocidades) e 1 turbina Parsons de baixa pressão.
Propulsão: 2 hélices laterais de
3 lâminas e uma hélice central de 4 lâminas.
Velocidade Máxima: 25 Nós

A companhia de navegação White Star foi fundada em 1850, com a sua frota composta por navios que transportavam o ouro das minas australianas.

Em 1902, a Companhia International Mercantile Marine, com financiamento norte americano, organizada por J. Pierpont Morgan, compra a White Star
por cerca de US $ 25 milhões em ouro, e esta passa a ser controlada por interesses norte americanos. Os navios porém continuam carregando a bandeira e a tripulação inglesa.

Em 1904 Bruce J. lsmay, de 41 anos assumiu a presidência e a gestão administrativa da empresa, com o pleno apoio de Morgan.

Por sua vez William J. Pirri, presidente da Harland & Wolff estaleiros, torna-se diretor da Marinha Mercante.

Em 1907, em uma festa realizada na mansão de William J. Pirri no Canadá, Bruce lsmay propõe a construção de 2 grandes navios (posteriormente acrescentando um 3º) para concorrer com o luxo, o tamanho e a velocidade dos navios das empresas rivais, especialmente a Cunard, que nesse ano tinha lançado os transatlânticos Lusitânia e Mauritânia (*) ambos com
30.396 toneladas, 232 metros, e velocidade de 26.4 nós.

(*) Estes dois navios foram construídos com subsídio governamental de 2,5 milhões de libras esterlinas, na condição de permanecerem em propriedade britânica e estarem disponíveis ao país em caso de guerra...

O plano foi aprovado em Belfast em 29 de julho de 1908 por Bruce Ismay e
os diretores da White Star. O projeto apresenta a mais moderna arquitetura naval, incluindo a divisão do casco em uma série de compartimentos tanques, atuantes na estabilidade e equilíbrio do navio.

Ele comporta um enorme espaço para a ocupação das caldeiras e motores, e contém uma 4ª chaminé, falsa, que não está relacionada com as caldeiras, a sua função era apenas a de aumentar o prestígio e a estética do barco...

Em 31 de julho de 1908 foi assinado o contrato para a construção dos navios Olypmpic, Titanic e um 3º navio, o Britannic, nos estaleiros navais de Belfast.

O Titanic terá 267 metros de comprimento, 28 de largura e 30 metros de altura do nível da água. O custo total de cada navio será 1.500.000 libras,
ou seja, cerca de 7.500.000 dólares.

Este número é impressionante para a época, considerando-se que um operador do estaleiro ganhava 2 libras por semana, ou 96 libras por ano. Edward J. Smith, capitão do Titanic, tinha o maior salário da época, £ 1000
por ano.

As decisões finais sobre a concepção, os equipamentos e o mobiliário, dependiam de J. Bruce Ismay.

Em 31 de maio de 1908 tem início a construção do Titanic, no estaleiro Harland & Wolff. Antes de iniciar a construção dos navios Olympic e Titanic,
foi necessária a construção de duas grandes estruturas no estaleiro.

Para a construção do Olympic e do Titanic, foi construída uma enorme ponte de aço equipada com um guindaste e quatro elevadores elétricos. Toda a estrutura pesando 6.000 toneladas, com 65 metros de altura, foi entregue em 1908 por Sir William & Co. de Glasgow. Os hangares de construção do Olympic e do Titanic.

Na época, a H & W tinha 15.000 funcionários, dos quais mais de 3.000 trabalharam na construção do Titanic. Com projeto da instalação dos motores, posicionados lado a lado, cada um impulsiona uma hélice. Nas caldeiras, a condução da produção de vapor é ampliada através de uma turbina de baixa pressão. Este sistema proporciona mais potência, sem aumentar o consumo de carvão.

Em 31 de maio de 1911 o casco do Titanic é colocado no mar, onde
será terminada a construção. O fato foi acompanhado por mais de 100.000 pessoas. É o maior objeto em movimento construído pelo homem. Para proteger a estrutura onde o casco está apoiado, da enorme pressão de
150 kg por cm2, foram utilizados 22 mil toneladas de sebo, sabão e óleo,
para a descida até à água. Rebocadores levam o Titanic à doca onde ele será terminado.

Em Junho de 1911 a White Star Line e o estaleiro Harland & Wolff anunciam a data para a primeira viagem do Titanic: 20 de março de 1912.





Convite para o lançamento do casco do Titanic ao mar.








Ele é lançado sem as hélices, que serão instaladas posteriormente fora d’água. Houve uma comoção geral no estaleiro, quando o Titanic passou a flutuar em seu ambiente natural. Mesmo sem os motores, as caldeiras, as máquinas e acessórios, o Titanic reinou sobre as águas. Após uma hora ele foi rebocado para a doca onde serão terminadas as instalações, evitando assim o transporte das peças e dos equipamentos restantes.

Em 3 de fevereiro de 1912 o Titanic será instalado em doca seca, em Belfast, para a etapa de montagem final, com a presença dos técnicos responsáveis pelos projetos...

A hélice central com 4 pás e o diâmetro de 5 metros, é movida por uma turbina Parsons. As duas hélices laterais contém 3 pás com 7 metros de diâmetro e são movidas por 2 motores de quatro cilindros com três velocidades, o maior até agora construído.

O Titanic é testado em 2 de abril as 06.00 horas. Ele é rebocado do Canal Victoria para Belfast Lough. Uma vez no mar, começam todos os testes de todos os equipamentos de bordo, incluindo o rádio.

São executados todos os testes de velocidade e de manobras arriscadas, em todos os movimentos e condições possíveis; sendo o principal deles o grande teste de detenção, onde o navio, a 20 nós, é desacelerado abruptamente sem regredir os motores (sem marcha à ré). Este teste mostra que o Titanic, a esta velocidade, requer cerca de 2 milhas (3,22 Km) para parar completamente após a "frenagem".

Às 14:00 horas, começa um ensaio de rota à velocidade de 18 nós durante
2 horas, e o Titanic retorna para Belfast 2 horas mais tarde. Havia tanta confiança na construção naval que os testes e ensaios levaram menos de
um dia!

Lembramos que quando foi avistado o iceberg, ele estava a cerca de 450 metros da proa do navio que navegava a 21 nós. Era impossível evitar o impacto.




Edward J. Smith era o comandante mais antigo na White Star Line, e indiscutivelmente o mais experiente comandante na rota do Atlântico Norte. Ele havia comandado o Adriático, um dos grandes transatlânticos da empresa. Ele tinha 38 anos de experiência e possuía um excelente currículo em termos de segurança. Em todos os seus anos de marinha nunca teve qualquer problema.

Vida serena - vida saudável

Você já parou para observar, algum dia, como as pessoas andam pelas ruas apreensivas? O semblante sempre carregado e o cenho franzido traduzem a angústia íntima. A problemática em que se encontram mergulhados. Em alguns momentos, a impressão que se tem é que a maioria das gentes anda em batalha interior constante.

E nos perguntamos: onde está a serenidade? Em especial daqueles de nós que ostentamos o adjetivo de cristãos. Acaso teremos esquecido a exortação de Jesus: "a cada dia basta o seu cuidado? " e aqueloutra: "se pois Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe, e amanhã é lançada no forno, quanto mais a vós, homens de pouca fé!"

É por essa razão que, com regularidade, a providência divina permite que Seus missionários visitem a Terra, travestidos em corpos humanos e nas mais variadas frentes de trabalho.

Recordamos que em 1958, o mundo assistiu à posse de mais um Papa. Os cardeais, em Roma, encontraram um sucessor para Pio 12, que morrera após dirigir os destinos da Igreja Católica por 19 anos.

Aos 77 anos, Ângelo Giuseppe Roncalli assumiu o papado com o nome de João 23. Ângelo Roncalli era um homem que causava um impacto sempre favorável nas pessoas. Reconhecia claramente suas limitações e era dotado de um vivo senso de humor. Surpreendeu pela coragem de inaugurar debates sobre temas intocáveis até então. Em um documento asseverou que todos os homens têm direito de escolher a sua religião.

Em 1960, num dos seus escritos, ele registrou uma página com notável sentimento de religiosidade universal. Chama-se o decálogo da serenidade, e contém dez sugestões de conduta para o homem que deseja a paz.

- Procurarei viver pensando apenas no dia de hoje, exclusivamente neste dia, sem querer resolver todos os problemas da minha vida de uma só vez.

- Hoje, apenas hoje, procurarei ter o máximo cuidado na minha convivência; cortês nas minhas maneiras, a ninguém criticarei, nem pretenderei melhorar ou corrigir à força ninguém, senão a mim mesmo.

- Hoje, apenas hoje, serei feliz, na certeza de que fui criado para a felicidade, não só no outro mundo, mas também já neste.

- Hoje, apenas hoje, adaptar-me-ei às circunstâncias, sem pretender que sejam todas as circunstâncias a se adaptarem aos meus desejos.

- Hoje, apenas hoje, dedicarei dez minutos do meu tempo a uma boa leitura, recordando que, assim como o alimento é necessário para a vida do corpo, a boa leitura é necessária para a vida da alma.

- Hoje, apenas hoje, farei uma boa ação e não direi a ninguém.

- Hoje, apenas hoje, farei ao menos uma coisa que me custe fazer, e se me sentir ofendido nos meus sentimentos, procurarei que ninguém o saiba.

- Hoje, apenas hoje, executarei um programa pormenorizado; talvez não o cumpra perfeitamente, mas ao menos escrevê-lo-ei. E fugirei de dois males: a pressa e a indecisão.

- Hoje, apenas hoje, acreditarei firmemente, embora as circunstâncias mostrem o contrário, que a providência de Deus se ocupa de mim como se não existisse mais ninguém no mundo.

10º - Hoje, apenas hoje, não terei nenhum temor. De modo especial não terei medo de gozar o que é belo e de crer na bondade.

Pense nisso!

O homem do futuro, que define as conquistas das virtudes nos esforços do presente, descobre o imenso prazer de ser bom, humano e benevolente para com todos, sem distinção de raças, nem de crenças, porque em todos os homens vê irmãos seus.

Fonte: Revista Reformador 08/96 - pág 10

16 de jun. de 2011

Uma mente... dois cérebros?

Durante as últimas décadas se tem tratado de entender a origem do PROCESSO CRIATIVO. Foi perguntado a mais de 10.000 pessoas:

De onde obténs suas melhores idéias?

As respostas recebidas foram surpreendentes, especialmente considerando todo o tempo do dia que as pessoas passam no seu trabalho.

97%
• Durante o banho
• Antes de dormir
• Quando não faço nada
• Quando caminho
• Conversando
• Meditando
• Analisando
• Nas férias
• Tomando vinho
• Em outras atividades diversas...

3%
• No trabalho

Por que isto acontece? Temos mais de um cérebro?…

Um “faz nosso trabalho”. O outro se encarrega de gerar idéias criativas que não tem nada que ver com o trabalho...

Platão foi o primeiro a postular, no mundo ocidental, a idéia de que há dois aspectos distintos na mente humana. A um destes aspectos chamou “Logistikon”, a parte racional do ser humano. Ao outro chamou “Nous”, a parte intuitiva das pessoas. No Mundo Ocidental, a maioria das pessoas não tinham idéia do que Platão queria dizer com a sua teoria dos dois cérebros e básicamente a ignoraram por centenas de anos. Em contrapartida, no Oriente, as pessoas entenderam os princípios do lado esquerdo e direito do cérebro à sua própria maneira.


Depois veio A Era da Razão, seguida da Era Científica, e a gente começou a ter curiosidade acerca do que fazia que as coisas funcionassem… inclusive o cérebro.

No Século XIX, os cientistas começaram a especular a respeito, até que se deram conta de que o cérebro parecia estar composto por duas metades ou “hemisférios”, os quais provavelmente controlavam diferentes aspectos do organismo humano.

Com o passar do tempo, uma série de teorias começaram a ser criadas sobre os “dois cérebros”... muitas das quais estavam dentro do que Platão havia definido há 2.000 anos…

O lado esquerdo está associado com o intelecto, e está relacionado com o pensamento convergente, abstrato, analítico, calculado, linear, sequencial e objetivo. Se concentra nos detalhes e nas partes do todo. Este lado produz pensamentos que são diretos, verticais, sensíveis, realistas, frios, poderosos e dominantes. Os engenheiros tem fama de usar este tipo de pensamento…

O lado direito está associado com a intuição e está relacionado com o pensamento divergente, imaginativo, metafórico, não-linear, subjetivo e se concentra no TODO das coisas. Este lado produz pensamentos que são flexíveis, divertidos, complexos, visuais, diagonais, místicos e abstratos.
Os artistas, músicos, inventores, e empreendedores tem fama de usar este tipo de pensamento (junto com algum dos rebeldes companheiros seus de trabalho, dos quais VOCÊ pode ser um deles…)

Quando uma pessoa está no trabalho, a maior parte do tempo usa o lado esquerdo do cérebro. Se concentra nos detalhes, em tratar de encontrar a solução para o problema, em tratar de obter informação e feitos. Lógica, praticidade e ordem são as leis do dia. Afinal, isto não é tão mau, já que
uma vez que o lado esquerdo do cérebro fez o seu trabalho, todo o “trabalho pesado”, aí o lado direito pode emergir e criar uma idéia totalmente diferente, uma possibilidade fora dos padrões estabelecidos.

Mas deve-se tomar em conta que o lado direito do cérebro é “tímido”.
Não chegará e se porá a fazer o que tão bem sabe fazer. Necessita ser convidado a funcionar. Então, como convidamos o lado direito do cérebro a funcionar? Fazendo atividades que o lado direito controla!

Por exemplo: Sair para passear.
Exatamente isto: vá caminhar, dar uma volta, inclusive pular ou correr. Quando seu corpo se move, seu lado direito se ativa.

Sabia que Mozart fazia exercícios antes de compor? Escute música ou, melhor ainda, toque... Especialmente música sem letra ou cantada numa língua que você não entenda. Yokimura Nakamatsa, inventor japonês com mais de 2.000 patentes registradas, escuta a nona sinfonia de Beethoven, antes da fase de execução de seus projetos.

Desenhe ou faça esculturas, pinte ou faça algo assim. Faça representações visuais de seu objetivo ou idéia.

Use o humor! “Ahá” e “ha, ha, ha” estão muito conectados. O riso o libera da tirania da lógica e da linearidade.

Mude seu look... ou mude o aspecto do seu espaço de trabalho, mas respeitando as normas de onde trabalha. Pregue posters inspiradores. Reordene sua estante. Mova qualquer coisa que renove a “ordem” de sempre.

Visualize a solução que tanto está batalhando para encontrar racionalmente. Veja com os olhos da mente…

“Raramente penso só com palavras.” Albert Einstein

Saia do problema. Não faça nada. Reflita. Medite. Interiorize.

Por que relutamos em ativar nosso lado direito do cérebro?
1. Para não ter que esperar até sair do trabalho para ter uma boa idéia.

2. Para não ficar limitado a somente o racional e linear do lado esquerdo.

A verdade é:
Necessitamos de ambos: do lado esquerdo e do lado direito.

O truque é: saber como nos mover fluidamente de um lado para o outro com facilidade.

TESTE: Para que lado gira a bailarina?
* Se pode vê-la girando no sentido dos ponteiros do relógio está utilizando o hemisfério direito de seu cérebro.

* Se conseguir ver a figura girar no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio então está utilizando o hemisfério esquerdo de seu cérebro. Algumas pessoas podem vê-la girar em ambos sentidos, outras só conseguem vê-la girar em um só sentido.

* Se consegue ver a figura girar em ambos sentidos (um de cada vez), dizem os experts que seu QI está acima de 160.

Funções do lado esquerdo do cérebro:
Emprego da lógica orientado a detalhes baseado em feitos, palavras e linguagem, presente e passado, Matemáticas e Ciências, pode compreender o conhecimento, reconhece ordem/percepção de modelos, conhece o nome de objetos baseado na realidade, formas de estratégias prático/seguro.

Funções do lado direito do cérebro:
Usa os sentimentos orientado a ver o panorama geral imaginativo,símbolos e imagens, presente e futuro, filosofia e religião, pode ampliar, crê, aprecia, percepção espacial, sabe a função dos objetos baseado na fantasia, apresenta possibilidades, impetuoso/assume riscos.

Os não ditos...

As palavras às vezes, cortam como uma faca e de maneira irrefletida, ferimos os outros, mesmo se os amamos, sem que haja retorno. Conscientes disso é que em muitos dos casos, nos calamos, quando tudo o que pensamos e sentimos nos queima por dentro.

Essas coisas são os não ditos das relações e da vida.

As palavras que não dizemos, mas não enterramos também, estão sempre entre nosso coração e nossa garganta e nos ferem interiormente. São opções que fazemos, seja para não machucar outras pessoas, seja, simplesmente, pela falta de coragem de sermos nós, inteiros e límpidos.

A comunicação é a base de todo relacionamento saudável. Pessoas que se amam, que seja na amizade, no amor ou nas relações familiares, devem estar prontas para serem quem são, para perdoar e receber perdão.

Não nos calaríamos tanto se soubéssemos que o outro nos ouviria com a alma, nos entenderia e continuaria a nos amar, apesar de tudo. Mas as pessoas, por mais maduras que pareçam, nem sempre estão prontas para ouvir as verdades, se essas forem doloridas. Assim são criadas as relações superficiais, onde pensamos tanto e falamos de menos, onde sentimos e sufocamos.

Nos falta um pouco de humildade para aceitar nossa imperfeição, aceitar que o outro possa não gostar de algo em nós e ter o direito de dizê-lo. Nos falta a ousadia de sermos nós, sem essa máscara que nos torna bonitos por fora e doentes por dentro.

A comunicação na boa hora, com as palavras escolhidas e certas, consertaria muitos relacionamentos, sararia muitas almas, tornaria as pessoas mais verdadeiras e mais bonitas.

Sabemos que as pessoas nos amam quando nos conhecem profundamente, intimamente e continuam nos amando. Quando com elas temos a liberdade e coragem de dizer: isso eu sinto, isso eu sou.

Letícia Thompson

14 de jun. de 2011

Caño Cristales - um rio arco-íris

Situado na Serra da Macarena, Colômbia, o Caño Cristales, um pequeno rio de apenas 100Km de comprimento, é conhecido também como "O rio das cinco cores" ou "o rio mais bonito do mundo", e as tonalidades que adquire se deve às pedras cobertas de musgo e algas de cor amarelo, azul, verde, preto e vermelho. Quando o curso da água se encontra ao nível adequado, o musgo e as algas florescem com as brilhantes cores que caracterizam este rio. Andrés Hurtado, um caminhante colombiano dedicado a difundir as maravilhas de seu país, o batizou também como "o rio que escapou do paraíso", e depois de ver estas fotos, não resta a menor dúvida que o nome é apropriado.

Eu indico livro: Efeito sombra

Livro sobre Auto-Ajuda e Auto Conhecimento. Fenômeno editorial, sucesso nos Estados Unidos, disponível para os leitores do Brasil.

O conflito entre quem somos e quem queremos ser encontra-se no âmago da
luta humana. A dualidade, na verdade, está no centro da experiência humana. A vida e a morte, o bem e o mal, a esperança e a resignação, coexistem em todas as pessoas e manifestam sua força em todas as facetas da vida. Se sabemos o que é a coragem, é porque também experimentamos
o medo; se podemos reconhecer a honestidade, é porque já encontramos a falsidade. No entanto, a maioria de nós nega ou ignora nossa natureza dualista.

Caso estejamos vivendo sob a suposição de que somos apenas de um jeito ou de outro, dentro de um espectro limitado de características humanas, então, precisamos questionar por que, atualmente, muitos de nós estamos insatisfeitos com a nossa vida. Por que temos acesso a tanta sabedoria e, ainda assim, não temos a força e a coragem para agir segundo nossas boas intenções, tomando decisões eficazes? E, mais importante, por que continuamos a nos expressar de maneiras contrárias aos nossos valores e
a tudo aquilo em que acreditamos?

Isso ocorre porque não examinamos nossa vida, nosso eu mais obscuro, o
eu sombrio, onde está escondido nosso poder esquecido. É ali, nesse local mais improvável, que encontramos a chave para destrancar a força, a felicidade e a capacidade de viver nossos sonhos. Fomos condicionados a temer o lado obscuro da vida, assim como o nosso. Quando nos pegamos
em meio a um pensamento sombrio ou tendo um comportamento que julgamos inaceitável, corremos como uma marmota ao buraco no chão e nos escondemos, torcendo e rezando para que tudo desapareça antes de nos aventurarmos a sair novamente.

Por que fazemos isso? Porque tememos, independentemente do quanto nos esforcemos, jamais conseguir escapar desse nosso lado. E, embora ignorar ou reprimir esse lado sombrio seja a norma, a verdade soberana é que correr da sombra apenas intensifica seu poder. Negá-la apenas conduz a mais dor, sofrimento, tristeza e sujeição. Se falharmos em assumir a responsabilidade de extrair a sabedoria que está oculta no fundo de nossa consciência, a treva assume o comando e, em vez de sermos capazes de assumir o controle, a escuridão acaba nos controlando, provocando o efeito sombra. Então, o lado obscuro passa a tomar as decisões, tirando-nos o direito a escolhas conscientes, seja quanto ao que comemos, ao tanto que gastamos ou aos vícios a que sucumbimos. Nosso lado sombrio nos incita a agir de forma que jamais imaginamos e a desperdiçar a energia vital em maus hábitos comportamentos repetitivos.

A obscuridade interior nos impede de expressar inteiramente o nosso eu,
de falar nossa verdade e viver uma vida autêntica. Somente ao abraçar a nossa dualidade é que nos libertamos dos comportamentos que poderão potencialmente nos levar para baixo. Se não reconhecermos integralmente quem somos, é certo que seremos tomados de assalto pelo efeito sombra.

O efeito sombra está por toda parte. A prova de sua disseminação pode ser vista em todos os aspectos da vida. Lemos sobre ele on-line. Podemos vê-lo nos noticiários da TV e também em amigos, familiares e estranhos na rua.
E talvez possamos reconhecê-lo de forma mais expressiva em nossos pensamentos, comportamentos, e senti-lo nas interações que fazemos com os outros. Receamos que, se lançarmos luz nessa escuridão, isso nos fará sentir uma imensa vergonha ou, até pior, nos levará a expressar nossos piores pesadelos. Tornamo-nos temerosos quanto ao que podemos encontrar se olharmos dentro de nós mesmos; portanto, em vez disso, escondemos a cabeça e nos recusamos a enfrentar o lado sombrio.

Mas, saibamos que, o oposto do que tememos é, de fato, o que acontece.
Em vez de vergonha, sentimos empatia. Em vez de constrangimento, ganhamos coragem. Em vez de limitação, experimentamos a liberdade. Mantida oculta, a sombra é uma caixa de Pandora repleta de segredos, que tememos destruírem tudo o que amamos e gostamos. Porém, se abrirmos a caixa, descobrimos que aquilo que está ali dentro tem o poder de alterar radicalmente nossa vida, e de forma positiva. Sairemos da ilusão de que nossa obscuridade nos dominará e, em vez disso, veremos o mundo sob
uma nova luz. A empatia que descobrimos por nós mesmos dará a centelha de ignição para nossa confiança e coragem à medida que abrirmos nosso coração a todos ao redor.

O poder que desencavamos nos ajudará a confrontar o medo que esteve nos segurando e nos incitará a seguir adiante, rumo ao mais alto potencial.
Longe de ser assustador, abraçar a sombra nos concede uma plenitude, permite que sejamos reais, reassumindo nosso poder, libertando nossa paixão e realizando nossos sonhos.

Cada um de nós chega ao terreno acidentado da batalha entre o amor e o medo, mesmo depois de anos de experiência e uma esperança profunda e sincera de poder iluminar a sombra de uma vez por todas, pois, se não nos opusermos à força da sombra e integrarmos sua sabedoria, ela tem o potencial para continuar a lançar destruição em nossa vida e nosso mundo.

Quando falhamos em admitir nossas vulnerabilidades e reconhecer maus comportamentos, inevitavelmente sabotamo-nos quando estamos prestes
a alguma realização pessoal ou profissional. Então, a sombra ganha. Quando agimos motivados por uma raiva desproporcional ao falar com os filhos, a sombra ganha. Quando traímos as pessoas amadas, a sombra ganha. Quando nos recusamos a aceitar nossa verdadeira natureza, a sombra ganha. Se não focamos a luz ao nosso eu mais alto, na obscuridade de nossos impulsos humanos, a sombra ganha.

Até que aceitemos tudo o que somos, o efeito sombra terá poder para retardar nossa felicidade. Se passar sem reconhecimento, a sombra nos impede de ser plenos, de alcançar nossos melhores planos, e nos faz viver uma vida pela metade. Nunca houve uma época melhor para se criar um novo léxico para iluminar a sombra e finalmente entender o que tem sido tão difícil de ver e explicar.

O trabalho com a sombra, é mais que um processo psicológico ou uma brincadeira intelectual. É uma solução prescritiva para problemas não resolvidos. É uma jornada transformadora que vai além de qualquer teoria psicológica, porque considera o lado sombrio uma questão humana, uma questão espiritual que todos nós precisamos resolver se quisermos ter uma vida na qual nos expressemos por completo. Enfim entenderemos por que não somos melhores nem piores que ninguém, não importam cor, experiência, orientação sexual, aparência ou o passado. Não há ninguém no mundo que não tenha um lado sombrio e, quando levada a sério e compreendida, a sombra pode gerar uma nova realidade que irá alterar a forma como nos sentimos em relação a nós mesmos, ao nosso exercício de pais, à maneira como tratamos nosso parceiro, como interagimos com os membros de nossa comunidade e como engajamos com outras nações.

Acredito que a sombra seja um dos maiores presentes disponíveis para nós. Carl Jung a chamava de sparring, ou “parceira de treino de boxe”; ela é a oponente dentro de nós que expõe falhas e aguça habilidades. É a professora, o treinador, o guia que nos apóia no descobrimento de nossa verdadeira magnificência. A sombra não é um problema a ser resolvido ou um inimigo a ser vencido, mas um campo fértil a ser cultivado. Quando mergulharmos as mãos em seu solo rico, descobriremos as sementes potentes da pessoa que mais desejamos ser.

Esperamos que você ingresse nessa jornada, pois sabemos o que nos espera lá dentro.

do livro: O efeito sombra
Autores: Deepak Chopra / Debbie Ford / Marianne Williamson

Arte com Anna Kostenko

Anna Kostenko nasceu em 1975, em Kiev, na Ucrânia, e viveu e trabalhou em Cracóvia, na Polônia desde 1991. Ela se formou na Academia de Belas Artes de Cracóvia, onde estudou pintura de 1993 a 1998. Ela teve três exposições de obras de arte em Jorgensen e criou muitas belas pinturas desde o seu lançamento em 1999. Sua fascinação com as diferentes culturas levou-a por extensas viagens, que inspiram seu trabalho, que tem sido demonstrado em vários países, incluindo a Polônia, França, Alemanha, Irlanda e Espanha.