CHEGUE NA PAZ

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20 de fev. de 2012

Somos todos um

Somos Todos Um!
Porque o Todo* está em tudo.
Tudo é Ele. Tudo é UM.
Como parte d'Ele, também Somos Um!

Como ensinavam os hermetistas de outrora,
"Nada está fora do Todo.
Se algo estivesse fora, não seria mais o Todo.
Pois, então, estaria faltando um pedaço."

Quando se diz que Ele é o Todo,
É porque está em tudo, sem exceção alguma.
Portanto, também está em nossos corações.
E em qualquer coisa que pensarmos.

Sim, há um Grande Coração da Vida em nós.
Ele pulsa a luz eterna em nossos pequenos corações.
Liga cada um de nós ao mesmo Amor Cósmico.
Seja estrela, espírito ou homem, em tudo Ele está!

No Corão, na Bíblia, no Talmud, no Tao Te Ching,
No Bhagavad-Gita, nos Vedas, no Zend Avesta,
Em O Livro dos Espíritos, no Caibalion, na Doutrina Secreta,
E em todas as obras, Ele é o cerne de tudo.

Nas igrejas cristãs, nas sinagogas, nas mesquitas, nos ashrans,
Nos centros espirituais, nos terreiros de Umbanda,
Nos grupos espiritualistas, nos templos budistas,
E em qualquer lugar sagrado, é Ele a inspiração de todos.

E quem poderá dizer que não?
Ele sopra por onde quer. Ou seja, em tudo.
E algum templo ou grupo tem exclusividade sobre Ele?
Ou Ele está onde quer, porque é o Dono de tudo?...

Ah, estamos falando do Todo.
E qualquer definição disso ou daquilo,
Não passa de especulação relativa dos homens,
Sobre o Absoluto. E só Ele é que sabe quem Ele é.

Só o Todo compreende o Todo!
Ao homem, cabe compreender o homem.
E, assim fazendo, compreender a si mesmo.
Para sentir o Todo nesta compreensão.

Para, então, perceber que Somos Todos Um!
Não somos negros, brancos, amarelos ou vermelhos.
Somos da cor da LUZ, pois matéria é energia condensada.
Somos o Eterno, condensados em forma de gente.

Somos mais do que pensamos e sentimos.
Podemos ver além do horizonte...
Podemos ver estrelas em nossos chacras**.
Quando o corpo dorme, voamos, em espírito...***

Nunca saímos de casa. Sempre estivemos n'Ele.
Quando sonhamos, Ele também sonha junto.
Quando rimos, Ele ri junto. E novas estrelas são criadas.
E, quando estamos tristes, Ele aponta para o Céu, e ri...

Ele sabe que tudo tem seu momento.
Que, na Terra, tudo passa, e o que importa é a lição.
O que vale é o Amor real, que ilumina a vida.
Esse Amor do Grande Coração d'Ele, em nós.

Viajamos na nave viva do universo, que é o corpo d'Ele.
Aprendemos tanto, mesmo sem percebermos.
Não nascemos nem morremos, só entramos e saímos dos corpos.
Somos o Eterno no transitório. Somos Todos Um!

Encarnados e desencarnados, terrestres e extraterrestres,
E todos os seres, tudo é Ele. Tudo é Um!
O Grande Concertista Cósmico toca a música da vida.
E nós vamos vivendo em sua canção eterna...

Aqui na Terra, mesmo com tanta agitação e loucura dos homens,
Alguns escutam essa canção cósmica e sentem algo sutil.
E dizem: "Somos Todos Um!" - mesmo que muitos não entendam.
Mas eles prosseguem dizendo, pois sentem isso no coração.

Sim, eles cantam o Absoluto, mesmo no relativo dos homens.
E sua canção é a mesma dos iniciados espirituais de todos os tempos.
É a canção do despertar da consciência. A canção d'Ele, em nós.
E o tema dela é: "Somos Todos Um!"

Felizes os que sabem disso... E vivem por tal ideal.
Mesmo que os homens duvidem, o coração dessa gente sabe.
Pois é gente leal e batalhadora, que só quer vencer a si mesma.
É gente que está conectada com o site do infinito...

Paz e Luz.
Somos Todos Um!

(Wagner Borges)

29 de jan. de 2012

A força da esperança


"Em alguns momentos de dor, quando nos sentimos sozinhos,
esquecemos que os verdadeiros amigos aparecem nesses instantes.


Outro dia, lamentando haver tornado-me árvore seca a fenecer no opúsculo de minha vida, não reparei na única folha verde da esperança.

Meus olhos, cegos pela dor, não divisavam a esperança contida naquela pequena folha,
que me lembrava ainda haver esperança.


Cabisbaixo em minha dor, não via o sol que nasce a cada dia
e principalmente que a semente nos torna perpétuos.


A partir de então, resolvi viver como semeador de minha própria existência,
e estou a procura de corrigir os erros da semeadura.


Embora cometa alguns erros antigos, a experiência mostra, que,
quando envoltos na correnteza, maior que o nosso esforço,
o melhor é deixar-nos levar até uma nova margem.


E se as emoções provocadoras das lágrimas me sufocam,
nos poucos momentos em que consiga subir à superfície,
não me esquecerei de recuperar o fôlego, para continuar tentando."


Afonso Paulo Albuquerque de Mendonça

18 de jan. de 2012

Artigo sobre BBB

Que me perdoem os ávidos telespectadores do Big Brother Brasil (BBB), produzido e organizado pela nossa distinta Rede Globo, mas conseguimos chegar ao fundo do poço. [...] Chega a ser difícil encontrar as palavras adequadas para qualificar tamanho atentado à nossa modesta inteligência.

[...] Pergunto-me, por exemplo, como um jornalista, documentarista e escritor como Pedro Bial que, faça-se justiça, cobriu a Queda do Muro de Berlim, se submete a ser apresentador de um programa desse nível. Em um e-mail que recebi há pouco tempo, Bial escreve maravilhosamente bem sobre a perda do humorista Bussunda referindo-se à pena de se morrer tão cedo. Eu gostaria de perguntar se ele não pensa que esse programa é a morte da cultura, de valores e princípios, da moral, da ética e da dignidade.

Outro dia, durante o intervalo de uma programação da Globo, um outro repórter acéfalo do BBB disse que, para ganhar o prêmio de um milhão e meio de reais, um Big Brother tem um caminho árduo pela frente, chamando-os de heróis. Caminho árduo? Heróis? São esses nossos exemplos de heróis?

Caminho árduo para mim é aquele percorrido por milhões de brasileiros, profissionais da saúde, professores da rede pública (aliás, todos os professores) , carteiros, lixeiros e tantos outros trabalhadores incansáveis que, diariamente, passam horas exercendo suas funções com dedicação, competência e amor e quase sempre são mal remunerados.

Heróis são milhares de brasileiros que sequer tem um prato de comida por dia e um colchão decente para dormir, e conseguem sobreviver a isso todo santo dia.
Heróis são crianças e adultos que lutam contra doenças complicadíssimas porque não tiveram chance de ter uma vida mais saudável e digna.

Heróis são inúmeras pessoas, entidades sociais e beneficentes, ONGs, voluntários, igrejas e hospitais que se dedicam ao cuidado de carentes, doentes e necessitados (vamos lembrar de nossa eterna heroína Zilda Arns).

Heróis são aqueles que, apesar de ganharem um salário mínimo, pagam suas contas, restando apenas dezesseis reais para alimentação, como mostrado em outra reportagem apresentada meses atrás pela própria Rede Globo.

O Big Brother Brasil não é um programa cultural, nem educativo, não acrescenta informações e conhecimentos intelectuais aos telespectadores, nem aos participantes, e não há qualquer outro estímulo como, por exemplo, o incentivo ao esporte, à música, à criatividade ou ao ensino de conceitos como valor, ética, trabalho e moral. São apenas pessoas que se prestam a comer, beber, tomar sol, fofocar, dormir e agir estupidamente para que, ao final do programa, o “escolhido” receba um milhão e meio de reais. E ai vem algum psicólogo de vanguarda e me diz que o BBB ajuda a "entender o comportamento humano". Ah, tenha dó!!!

Veja o que está por de tra$$$ do BBB: José Neumani da Rádio Jovem Pan, fez um cálculo de que se vinte e nove milhões de pessoas ligarem a cada paredão, com o custo da ligação a trinta centavos, a Rede Globo e a Telefônica arrecadam oito milhões e setecentos mil reais. Eu vou repetir: oito milhões e setecentos mil reais a cada paredão.

Já imaginaram quanto poderia ser feito com essa quantia se fosse dedicada a programas de inclusão social, moradia, alimentação, ensino e saúde de muitos brasileiros? (Poderia ser feito mais de 520 casas populares; ou comprar mais de 5.000 computadores). Essas palavras não são de revolta ou protesto, mas de vergonha e indignação, por ver tamanha aberração ter milhões de telespectadores.

Em vez de assistir ao BBB, que tal ler um livro, um poema de Mário Quintana ou de Neruda ou qualquer outra coisa..., ir ao cinema..., estudar... , ouvir boa música..., cuidar das flores e jardins... , telefonar para um amigo... , visitar os avós... , pescar..., brincar com as crianças... , namorar... ou simplesmente dormir.

Assistir ao BBB é ajudar a Globo a ganhar rios de dinheiro e destruir o que ainda resta dos valores sobre os quais foi construído nossa sociedade.

Obs.: BBB* - Big Brother Brasil

(Luís Fernando Veríssimo)

Extraído: cadê Campos? Notícias

11 de jan. de 2012

A casa de cada um

Nesta época, gosto de tratar da vida.
Dou a roupa que não uso mais.
Livros que não pretendo reler.
Envio caixas para bibliotecas.
Ou abandono um volume em um shopping ou café, com uma mensagem:
"Leia e passe para frente!".
Tento avaliar meus atos através de uma perspectiva maior.
Penso na história dos Três Porquinhos.
Cada um construiu sua casa.
Duas, o Lobo derrubou facilmente.
Mas a terceira resistiu porque era sólida.

Em minha opinião, contos infantis possuem grande sabedoria, além da história propriamente dita. Gosto desse especialmente.

Imagino que a vida de cada um seja semelhante a uma casa.
Frágil ou sólida, depende de como é construída.
Muita gente se aproxima de mim e diz:
Eu tenho um sonho, quero torná-lo realidade! Estremeço.
Frequentemente, o sonho é bonito, tanto como uma casa bem pintada.
Mas sem alicerces.
As paredes racham, a casa cai repentinamente, e a pessoa fica só com entulho. Lamenta-se.

Na minha área profissional, isso é muito comum.
Diariamente sou procurado por alguém que sonha em ser ator ou atriz sem nunca ter estudado ou feito teatro.
Como é possível jogar todas as fichas em uma profissão que nem se conhece?

Há quem largue tudo por uma paixão. Um amigo abandonou mulher e filho recém-nascido. A nova paixão durou até a noite na qual, no apartamento do 10º andar, a moça afirmou que podia voar. Deixa de brincadeira, ele respondeu.
Eu sei voar, sim! rebateu ela.
Abriu os braços, pronta para saltar da janela. Ele a segurou. Gritou por socorro. Quase despencaram.
Foi viver sozinho com um gato, lembrando-se dos bons tempos da vida doméstica, do filho, da harmonia perdida!

Algumas pessoas se preocupam só com os alicerces. Dedicam-se à vida material.
Quando venta, não têm paredes para se proteger.
Outras não colocam portas. Qualquer um entra na vida delas.

Tenho um amigo que não sabe dizer não
(a palavra não é tão mágica quanto uma porta blindada).
Empresta seu dinheiro e nunca recebe.
Namora mulheres problemáticas.
Vive cercado de pessoas que sugam suas energias como autênticos vampiros emocionais. Outro dia lhe perguntei: Por que deixa tanta gente ruim se aproximar de você? Garante que no próximo ano será diferente.
Nada mudará enquanto não consertar a casa de sua vida.

São comuns as pessoas que não pensam no telhado.
Vivem como se os dias de tempestade jamais chegassem.
Quando chove, a casa delas se alaga.
Ao contrário das que só cuidam dos alicerces, não se preocupam com o dia de amanhã.

Certa vez uma amiga conseguiu vender um terreno valioso recebido em herança. Comentei:
Agora você pode comprar um apartamento para morar.
Preferiu alugar uma mansão. Mobiliou.
Durante meses morou como uma rainha.
Quase um ano depois, já não tinha dinheiro para botar um bife na mesa!

Aproveito as festas de fim de ano para examinar a casa que construí.
Alguma parede rachou porque tomei uma atitude contra meus princípios?
Deixei alguma telha quebrada?
Há um assunto pendente me incomodando como uma goteira?
Minha porta tem uma chave para ser bem fechada quando preciso, mas também para ser aberta quando vierem as pessoas que amo?
É um bom momento para decidir o que consertar.
Para mudar alguma coisa e tornar a casa mais agradável.
Sou envolvido por um sentimento muito especial.

Ao longo dos anos, cada pessoa constrói sua casa.
O bom é que sempre se pode reformar, arrumar, decorar!

E na eterna oportunidade de recomeçar...
reside a grande beleza de ser o arquiteto da própria vida.

Walcyr Carrasco

10 de jan. de 2012

Convivendo comigo

Jacqueline Berg descreve como podemos nos libertar das prisões auto-impostas a que nos submetemos. Recentemente, li um anúncio que dizia, “Seja diferente. Seja você mesmo.”

Isso me lembrou de uma história que ouvi certa vez sobre um leão que foi separado de seus pais no nascimento. Ele cresceu num rebanho de ovelhas. Pelo fato de o filhote acreditar mesmo ser uma ovelha, comportava-se como uma. Ele era um leão em transe de ovelha. A história do leão é um pouco parecida com muitas de nossas próprias histórias.

Nós também freqüentemente estamos num transe. Nós também parecemos esquecer quem realmente somos. E, por causa desse engano, temos nos identificado com diferentes imagens e idéias. Colocamos máscaras e realmente começamos a acreditar que somos essas máscaras. É claro que é impossível ser feliz se você é um leão e vive como uma ovelha. O segredo de conhecer-se é que existe algo dentro de você totalmente diferente daquilo que você finge ser.


A única maneira de conhecer esse “eu” verdadeiro é através de uma pesquisa consciente. A maioria das pessoas não tem tempo para isso. Ou eu deveria dizer
que elas não criam tempo para isso? Essa é a beleza do tempo: você pode criá-lo.


Durante minha pesquisa, descobri quatro coisas que são de importância vital:
A primeira é o silêncio.
A segunda é o relacionamento comigo mesma.
A terceira é o relacionamento com o Supremo e finalmente vem meu relacionamento com aqueles que estão à minha volta.

É realmente importante pensar nelas nessa ordem. Nós normalmente as abordamos numa ordem diferente. Estamos muito conscientes sobre os relacionamentos que temos com os outros, alguns de nós pensam sobre Deus, poucos pensam no seu eu interior e dificilmente alguém tem um relacionamento com o silêncio.

Antes de começar a meditar – há uns 25 anos – eu não considerava muito o silêncio em minha lista de prioridades. Não tinha uma idéia clara do que ele realmente era. Eu era viciada em trabalho, e pessoas assim não desperdiçam tempo em hobbies fúteis como o silêncio. Minha vida era ativa, dinâmica. E era assim na família também.

Depois de divorciar-se, minha mãe contou-me porque ela sempre esteve tão incrivelmente ocupada. Ela literalmente esteve fugindo da dor que sentia por causa do seu casamento não-preenchedor. Isso me despertou para o fato de que o trabalho pode ser apenas outro vício, um modo de encobrir a dor, um modo de evitar as coisas com as quais não sabemos lidar. Então, essa é a maneira como fui criada: nunca parando, nunca sendo, sempre fazendo.

Minha jornada interior começou com o desejo de quebrar esse ciclo vicioso de ficar dando voltas; tentando “simplesmente ser” para mudar um pouco. Os primeiros anos na meditação não foram fáceis. Achei difícil relaxar e não conseguia sentar-me em silêncio. Minha mente criativa continuava correndo. Foi realmente meu corpo que veio para me salvar e forçou-me a sentar – ou em outras palavras – silenciar-me. Lentamente, mas definitivamente, minha mente aceitou-se derrotada e enquanto a bandeira branca estava sendo hasteada, o silêncio entrou. Leva tempo acostumar-se a estar em silêncio e não fazer “nada”.

Lembro-me de uma manhã quando estava sentada no sofá – meditando – quando um dos vizinhos passou pela janela. Antes disso, havia pegado uma revista e fingia lê-la. Por tanto tempo vivi com a idéia, “Eu faço, portanto eu sou.” Tinha receio de que os vizinhos pensassem que eu não estava fazendo nada. Mas estava mais receosa ainda daquela voz interior, o Crítico Interior, que me puxou para além dos meus limites durante muitos anos. Agora que minha mente estava se tornando mais silenciosa, tornei-me mais consciente dessa voz interna. Custou-me certo tempo para entender o que esse criticismo interno faz, o quão destrutivo ele é.

Muitas pessoas confundem criticismo com intelectualismo; eles pensam que é bom ter opinião sobre tudo e julgar os outros. Mas descobri que ele realmente é um hábito muito negativo. Machuca os outros, e, acima de tudo, você se machuca com esse tipo de julgamento negativo. Acho que ele deriva da noção errada de perfeccionismo.

Perfeccionismo não é o mesmo que perfeição, no sentido de inteireza. “Ser completo” significa ser completo com todos os poderes e virtudes dentro do eu. Perfeccionismo é algo diferente. Perfeccionistas tentam controlar pessoas e situações de modo que nada dê errado. Eles querem que tudo aconteça tranqüilamente e não conseguem lidar com imprevistos. Ao invés de focarem-se na beleza da vida, são obcecados pelos defeitos e imperfeições deles próprios e dos outros. Corrigem a eles mesmos e aos outros continuamente – às vezes em palavras, sempre em pensamentos.

Não estou dizendo que nós não devemos tentar tornar as coisas melhores e nos esforçarmos para a perfeição. Afinal de contas, todos viemos de um estado de harmonia interna e completude. Então, é muito natural que queiramos retornar àquele estado uma vez mais. Mas a raiva projetada por ter perdido sua própria perfeição não vai trazer a completude de volta. De fato, isso cria muitos problemas nos relacionamentos. Não é fácil enfrentar, ou mesmo ver, os seus próprios defeitos. É mais fácil ver isso nos outros, e então, o Crítico Interno os ataca. E sempre há alguma coisa: a maneira como alguém se veste, fala, comporta-se... não há fim para isso. Mas o que estamos realmente fazendo é criticar nosso próprio comportamento.

A maneira de conhecer o Crítico Interno é prestar atenção aos seus sentimentos:
como eu me sinto sobre mim? Como me sinto sobre as outras pessoas?

Recentemente, meu dentista disse-me que se ele tirasse minhas obturações de mercúrio, meus sentimentos por mim mudariam. Não é surpreendente que algo assim pode realmente mudar o modo como nos sentimos sobre nós mesmos? Os sentimentos podem mudar tão rapidamente e existe muita influência, assim, a melhor maneira de ver os sentimentos é: Eles são apenas sentimentos. E um sentimento leva a outro. Quando você olha por trás desses sentimentos e emoções, ainda há você. É o que acontece em relação à raiva: você pode sentir raiva, mas isso não faz de você uma pessoa raivosa. É bom separar seus sentimentos de você mesmo.

Veja o medo, por exemplo. Há alguns anos viajei para a Austrália. Eu estava num vôo doméstico que levaria apenas 45 minutos. Mas, no caminho, pegamos uma tempestade tropical, com muita chuva. Tentamos aterrissar, decolar novamente, e aterrissar mais uma vez. Isso aconteceu sete vezes. A experiência foi terrível, as pessoas gritavam sem parar. De qualquer forma, o fato é que eu tenho medo de voar, então, você pode imaginar como me senti. Meu medo cresceu e cresceu até que cheguei aos limites do medo. Eu não poderia estar mais amedrontada. Então, de repente, ele desapareceu.
Foi embora. Comecei a sorrir. Vi quão engraçada era a situação e consegui acalmar os outros à minha volta. Quando chegamos ao nosso destino, 11 horas depois, percebi profundamente: um sentimento é somente um sentimento. Ele pode incomodá-lo durante anos, e então, de repente, ir embora. Sentimentos mudam, nós não!


Quando permito que o silêncio entre em minha mente, descubro quem sou, lá no fundo. Começo a entender minhas motivações. Posso ser honesto comigo. Não preciso enganar-me. Quando começo a me ouvir, é possível descobrir coisas diferentes daquilo que eu esperava encontrar. Talvez eu seja uma pessoa muito diferente de quem pensava ser. Talvez eu seja um leão vivendo num transe de ovelha. Se sou, então o processo de reconhecimento e mudança começa. Pode ser um pouco dolorido destruir as imagens criadas de nós mesmos, mas acima de tudo, é uma liberação. É claro que as pessoas à nossa volta dirão, “Espere aí, esse não é você, isso não é como eu conheço você.” Eles tentarão puxá-lo de volta.

É necessário coragem para mudar. Pode ser doloroso descobrir quão pouco seus amigos e família o conhecem de verdade. Mas, na realidade, você não pode culpá-los. Afinal de contas, foi você quem induziu-os ao erro ao não mostrar-lhes o seu verdadeiro eu. Você mostrou-lhes somente a máscara.

Temos nos identificado com muitas coisas externas. As pessoas têm muitas faces.

Nossa identidade está nas roupas que usamos, nos empregos que temos, onde vivemos e assim por diante. Algumas pessoas são completamente diferentes no trabalho do que são em casa. Eles mostram somente uma parte deles no trabalho.
Num certo sentido, enganam seus colegas.


Na Prisão Estatal Holandesa, ensinei meditação para homens jovens, os quais estavam lá por causa de crimes relacionados com drogas. Então, além de suas penas, eles eram viciados. Não era um grupo fácil! Foram-lhes oferecidas sessões de psicoterapia para torná-los conscientes da dor de seu passado. Isso é importante, pois haviam tentado fugir do passado por meio das drogas. Depois que eles ficaram sóbrios, tive a oportunidade de fazer sessões de meditação e pensamento positivo com eles. Esses garotos ensinaram-me muito sobre mim. Eles não deixaram nada a que se agarrar, nada com o que se identificar. Seus amigos e namoradas não queriam mais vê-los; muitos deles haviam perdido seus dentes e cabelos. Falei com eles sobre prisão em liberdade. Eles sempre falavam para mim: “O que você sabe sobre prisão? Quando você sair desse lugar, estará livre.”

Mas o que é liberdade? Talvez eu esteja viciada no meu trabalho, no meu relacionamento ou em negatividade. Essas jaulas da alma também são prisões.
Alguns de nós estamos presos de forma tão firme, que é como se tivéssemos dado a nós mesmos uma sentença para a vida toda.


Eu digo aos reclusos que honestamente não sei quem está mais livre, eles ou nós do lado de fora. Afinal de contas, eles têm todo o tempo do mundo para repensar suas vidas. Longe da luta da vida diária, é muito mais fácil mudar padrões. Algumas pessoas gastam muito dinheiro para passar o tempo num retiro ou numa ilha privada apenas para afastar-se de tudo, a fim de colocar as coisas em ordem. Quando digo àqueles jovens na prisão que algumas pessoas podem até ter um pouco de inveja deles, eles riem, mas entendem. Eles também estão abertos à meditação. E amam isso. Deitam-se no chão, acomodam-se em suas cadeiras, às vezes choram. Por alguns minutos experimentam-se como realmente são. Sentar-se juntos em meditação faz você esquecer que está na mesma sala com assassinos e assaltantes. Eles também se esquecem dessas coisas. Nós simplesmente sentamos juntos e esquecemos as máscaras. Encontramo-nos como almas. Em terapia, as pessoas freqüentemente focam somente naquilo que deu errado.

Quando encontro esses garotos, eu lhes digo, “Esqueçam-se um pouco de seu passado. Vejamos quais qualidades e especialidades vocês ainda deixaram”. Quando eles expressam algumas dessas qualidades, eu os relembro disso. Não me lembro de seus nomes, mas me lembro de suas qualidades.

O perdão é muito importante para eles. Somente quando aprenderem a perdoar-se é que podem abandonar suas identidades falsas. Eles precisam entender por que estavam fazendo aquelas coisas: não é porque são pessoas más, mas por causa da falta de entendimento. Somente assim eles podem perdoar e reconquistar sua auto-estima novamente.

Perdoar-se significa curar seu coração. Se você continuar se punindo, ainda estará atrás das grades. Ainda estará na prisão. E por estar na prisão, você aprisiona os outros também. Ninguém quer estar preso sozinho. Nós queremos companhia. Se sua identidade é baseada em vergonha, você vai procurar por outros que tenham o mesmo problema. E sempre irão machucar-se uns aos outros. Pessoas machucadas machucam pessoas. Essas projeções uns nos outros irão continuar até que você se cure. E só quando você se curar é que será capaz de curar os outros.

Devemos entender que somos livres. As almas são livres. Ninguém pode nos aprisionar; nós é que escolhemos nos aprisionar. Transformamo-nos em vítimas.
E se gostamos de desempenhar o papel de vítimas, sempre há alguém querendo desempenhar o papel de vitimizador – o pássaro e a gaiola. Se queremos ser livres, meu conselho é: Não fuja de sua “gaiola”; não fuja de seu(s) relacionamento(s).
Ao invés disso, entenda o que está acontecendo e mude. Para mim, isso é honestidade.
E esse é o único modo de libertar-se verdadeiramente.


Não gaste toda a sua energia tentando mudar os outros. É inútil. Toda a sua energia será usada em discussões, lutas e nas mesmas brigas, repetidas vezes. Os outros só vão mudar quando eles quiserem, quando eles entenderem que têm de mudar. A mudança vem de uma motivação interna. Mas se usamos nossa preciosa energia para mudar a nós mesmos, as chances são de que o outro também mude. É hora de regenerar a sua alma.

Relacionamentos verdadeiros começam com silêncio. Portanto, você pode começar a criar um relacionamento melhor consigo, então, com o Supremo, e então com os outros. A razão pela qual os relacionamentos com os outros vêm por último é porque os outros nunca vêem em nós o que Deus vê. Freqüentemente nos vemos através dos olhos dos outros. Então, se alguém vê somente 20% do que somos, também só vemos esse tanto. Deus nos vê como somos, Ele vê nosso potencial completo. Se você aprender a olhar-se da forma como Deus o vê, você começará a ver seu eu verdadeiro. Se aprender a conectar-se ao Ser Supremo, seus sentimentos puros serão estimulados e reforçados. É maravilhoso estar em contato com um ser que é tão próximo à sua natureza original. Você se sente muito confortável na presença de alguém que é consciente da alma. Você começa a relaxar, pois está sendo reconhecido. Não precisa provar mais nada a si mesmo.

Acredito que atualmente vivemos num período no qual as pessoas estão começando a entender essas coisas. Mas temos que parar de desperdiçar energia e concentrarmo-nos naquilo que realmente é necessário. A prática de meditação é sobre aprender a não ser influenciado, ser você, salvo e protegido naquela energia pura. Meditação é sobre sentir sua própria energia da alma. Realmente sentir: isso sou eu; aquele sentimento de que sou único, sou especial. Então, o processo completo é expressar aquela energia na sua vida diária, em seus relacionamentos. Mas, em primeiro lugar, você tem que praticar para senti-la, até que se torne estável na sua identidade verdadeira.

Quando você começa a sentir quem realmente é, não há necessidade de lutar contra vícios ou pessoas à sua volta. De fato, não há necessidade sequer de lutar. É um processo muito natural. Quando mudarmos nossas atitudes, seremos capazes de mudar o mundo.

Como vocês vêem, Deus precisa de ajuda. Ele precisa de mentes livres.

28 de dez. de 2011

Pais maus?!!

Texto antigo, mas vale a pena reler.

O texto abaixo foi entregue pelo professor de Ética e Cidadania da escola Objetivo/Americana, Sr. Roberto Candelori, a todos os alunos da sala de aula, para que entregassem a seus pais. A única condição solicitada pelo mesmo foi de que cada aluno ficasse ao lado dos pais até que terminassem a leitura.

(Dr. Carlos Hecktheuer – Médico Psiquiatra)

Um dia quando os meus filhos forem crescidos o suficiente para entender a lógica que motiva os pais e mães, eu hei de dizer-lhes:

§ Eu amei-vos o suficiente para ter perguntado aonde vão, com quem vão e a que horas regressarão.

§ Eu amei-vos o suficiente para não ter ficado em silêncio e fazer com que vocês soubessem que aquele novo amigo não era boa companhia.

§ Eu amei-vos o suficiente para vos fazer pagar os rebuçados que tiraram do supermercado ou revistas do jornaleiro, e vos fazer dizer ao dono: “Nós tiramos isto ontem e queríamos pagar”.

§ Eu amei-vos o suficiente para ter ficado em pé, junto de vocês, duas horas, enquanto limpavam o vosso quarto, tarefa que eu teria feito em 15 minutos.

§ Eu amei-vos o suficiente para vos deixar ver além do amor que eu sentia por vocês, o desapontamento e também as lágrimas nos meus olhos.

§ Eu amei-vos o suficiente para vos deixar assumir a responsabilidade das vossas ações, mesmo quando as penalidades eram tão duras que me partiam o coração.

§ Mais do que tudo, eu amei-vos o suficiente para vos dizer NÃO, quando eu sabia que vocês poderiam me odiar por isso (e em alguns momentos até odiaram). Estas eram as mais difíceis batalhas de todas.

Estou contente, venci… Porque no final vocês venceram também! E qualquer dia, quando os meus netos forem crescidos o suficiente para entender a lógica que motiva os pais e mães; quando eles lhes perguntarem se os seus pais eram maus, os meus filhos vão lhes dizer:

Sim, os nossos pais eram maus. Eram os piores do mundo… As outras crianças comiam doces no café e nós só tínhamos que comer cereais, ovos, torradas.

As outras crianças bebiam refrigerante e comiam batatas fritas e sorvetes ao almoço e nós tínhamos que comer arroz, feijão, carne, legumes e frutas.

Nossos pais tinham que saber quem eram os nossos amigos e o que nós fazíamos com eles. Insistiam que lhes disséssemos com quem íamos sair, mesmo que demorássemos apenas uma hora ou menos.

Nossos pais insistiam sempre conosco para que lhes disséssemos sempre a verdade e apenas a verdade.

E quando éramos adolescentes, eles conseguiam até ler os nossos pensamentos. A nossa vida era mesmo chata!

Nossos pais não deixavam os nossos amigos tocarem a buzina para que saíssemos; tinham que subir, bater à porta, para que os nossos pais os conhecessem.

Enquanto todos podiam voltar tarde da noite com 12 anos, tivemos que esperar pelo menos 16 para chegar um pouco mais tarde, e aqueles chatos levantavam para saber se a festa foi boa (só para verem como estávamos ao voltar).

Por causa dos nossos pais, nós perdemos imensas experiências na adolescência.

- Nenhum de nós esteve envolvido com drogas, em roubo, em atos de vandalismo, em violação de propriedade, nem fomos presos por nenhum crime.

FOI TUDO POR CAUSA DOS NOSSOS PAIS!

Agora que já somos adultos, honestos e educados, estamos a fazer o melhor para sermos “PAIS MAUS”, como eles foram.

EU ACHO QUE ESTE É UM DOS MALES DO MUNDO DE HOJE:

NÃO HÁ PAIS MAUS SUFICIENTES!

23 de dez. de 2011

Meu céu não é igual ao seu...

"Ainda bem que cada pessoa tem seu jeito de ser." (Rubem Alves)

O céu estava enfarruscado. O vento soprava nuvens cinzentas desgrenhadas. Nem lua nem estrelas. Bem dizia minha mãe que em dia de chuva elas se escondem, por medo de ficarem molhadas. A gente se lembrou de Prometeu: foi ele quem roubou dos deuses o fogo - por dó dos mortais em noites iguais àquela. Se não fosse por ele o fogo não estaria crepitando no fogão a lenha. O fogo fazia toda a diferença. Lá fora estava frio, escuro e triste. Na cozinha estava quentinho, vermelho e aconchegante.

No fogo fervia a sopa: o cheiro era bom, misturado ao cheiro da fumaça. Comida melhor que sopa não existe. Se eu tivesse de escolher uma comida para comer pelo resto de minha vida, não seria nem camarão, nem picanha, nem lasanha. Seria sopa. Sopa é comida de pobre, que pode ser feita com as sobras. Pela magia de fogo, caldeirão e água, qualquer sobra vira sopa boa. Tem até a estória da sopa de pedra...

O fogo é um poder bruxo. Tem o poder de irrealizar o real: os olhos ficam enfeitiçados pela dança das chamas, os objetos em volta vão perdendo os contornos, acabam por transformar-se em fumaça. Quando isso acontece começam a surgir, do esquecimento em que estavam guardadas, as coisas que a memória eternizou. O fogo faz esquecer para poder lembrar. Digo sempre para os meus clientes que, ao invés do divã, que lembra maca de consultório médico, eu preferiria estar assentado com eles diante de um fogão aceso. É diante do fogo qua a poesia aparece melhor. Não admira que Neruda tivesse dito que a substância dos poetas são o fogo e a fumaça.

"Antigamente eu costumava propor uma troca com Deus: um ano de vida por um só um dia da minha infância... Hoje não faço isso. Tenho medo de que ele me atenda. Não acho prudente, na minha idade, dispor assim dos meus anos futuros, pois não sei quantos ainda estão à minha espera..." Assim falou a Maria Alice com voz mansa, saudade pura. O fogão de lenha é lugar de saudade. Porque os fogões a lenha, eles mesmos, são fantasmas de um mundo que não mais existe.

"Quando eu era menina, lá em Mossâmedes, nas noites frias a gente se reunia na cozinha, todos assentados em volta de uma bacia cheia de brasas, os pés nos pauzinhos das cadeiras, era bom o calor do fogo nos pés frios."

"A mãe enrolava um pano na cabeça e dizia: 'Vou no quintal apanhar umas folhas de laranjeira pra fazer um chá pra nós' - e virava a taramela para abrir a porta da cozinha. O pai dizia sempre a mesma coisa: 'Mulher, você vai é ficar estuporada, de boca torta. Faz mal tomar friagem com corpo quente de fogo...' Mas a mãe nem ligava. Com as canecas quentes de chá na mão - como era bom o cheiro de folha de laranja! Posso até sentir ele de novo! -, a gente pedia ao pai pra contar estórias. Ele contava. Eram sempre as mesmas. A gente já sabia. Mas era como se ele estivesse contando pela primeira vez. Vinham sempre o assombro, o medo, os arrepios na espinha."

Aí ela parou e começou a divagar. Lembrou-se de um tio.

"Naquele tempo as pessoas eram diferentes. Pois esse meu tio tinha, na frente da casa dele, uma sala grande, vazia, que nunca era usada. Houve gente que quis alugar a sala - ele receberia um bom dinheirinho por ela. Recusou. E se explicou: 'Não alugo, não. É dessa sala que eu vejo a chuva vindo, lá longe. Se eu alugasse ficaria triste quando a chuva viesse...' É, as pessoas eram diferentes..."

Aí ficamos em silêncio, sem ter o que dizer, olhando o fogo. Quando se olha o fogo não é preciso dizer nada. A comunhão acontece em silêncio.

Lembrei-me da minha casa de infância, em Minas Gerais, casa velha, forro de esteira, assoalho de tábuas largas, já meio apodrecidas, goteiras sem conta nos dias de chuva. A gente não se afligia. Isso era normal. Telhado sem goteira era que era impensável. E era bom ouvir os pingos da chuva batendo nas panelas e bacias espalhadas pela casa. Era do mesmo jeito, nas noites frias. Com duas diferenças: a gente apagava a luz. Não por economia, mas para fazer a magia mais forte. No escuro os rostos refletiam as brasas, ficavam vermelhos contra o fundo negro. A imaginação ficava bêbada, as estórias mais fantásticas. A outra é que havia sempre o apito do trem de ferro. Vinha resfolegando, apitava na curva um gemido rouco e triste. Chamuscava a paineira velha com milhares de faíscas que saíam aos jatos, ejaculações incandescentes, e eu imaginava que assim tinham nascido as estrelas - eram faíscas de um trem de ferro cujo maquinista era Deus. Coisa estranha essa, que um trem de ferro seja ferro que dá saudade. Ferro lá tem alma?

A Adélia Prado, eu acho, concordaria. Se não concordasse não teria escrito:
"Um trem de ferro é uma coisa mecânica, mas atravessa a noite, a madrugada, o dia, atravessou minha vida, virou só sentimento"... Era pobreza feliz.

No meio do silêncio a Maria Alice teologou em conclusão: "Eu acho que há muitos céus, um céu para cada um. O meu céu não é igual ao seu. Porque céu é o lugar onde a memória guarda as coisas amadas que o tempo roubou..."

Rubem Alves, nascido no interior de Minas Gerais, escritor, pedagogo, teólogo e psicanalista.
www.rubemalves.com.br

Extraído: Bons Fluidos - DEZ/2004 - Nº 67, Pág 48.

Bagagem

"Todo erro é um tropeço. Não importa como caímos. Importa como nos reerguemos."
(Arlete Sendra)

Pois é! Todo ano as mesmas questões nos são colocadas. E todo ano as mesmas inquietações, as mesmas indecisões e incertezas nos acompanham, nos assessoram ampliando nossas tensões. E tem mais: a experiência de anos, anos e anos em nada nos ajuda. E é lógico, porque todo novo ano é sempre inaugural, está saindo virgem da ampulheta do tempo. Algumas vezes com traços que lá atrás traçamos e porque nos esquecemos, curiosamente, nos surpreendemos: como aquilo deu nisto?

Pois é! 2012 já se prepara para nos receber!

Está logo ali, no dobrar da esquina. Já ouvimos os sons que o anunciam!

Paradoxalmente, todo ano que passa é mais um ano que fica. É um pedaço de nossa vida, onde nos deixamos verbalizados, sonorizados, pictorizados, cinetizados, corporificados.

Poi é! E agora, que levar na bagagem para 2012? Que deixar entregue às águas do rio Letes, águas do esquecimento? E como decidir é sair da cisão, é optar por perdas, porque ganhos virão ou não, sejamos atentos a esta bagagem até mesmo para deixarmos espaços para que o novo entre em sintonia com o ontem e rearmonize a vida.

Assim, para começar, você pode, em 2012, devolver aquele sonho que você frustrou; pode acionar antigos moinhos de vento que não se quebraram e pode sonorizar a noite, fazendo dançar os frágeis vagalumes que não se apagaram.

Você pode estender a mão a quem, ontem, você a negou. Enxugar a lágrima que por você rolou.

Você pode levar palavras tão intensas que sejam capazes de anestesiar dores, e sejam capazes de fazer renascer a alegria de viver.

Você pode levar gestos reinauguradores das substâncias da vida. Levar máscaras de você mesmo(a), em seu cariz, eminentemente, existencial. E pode dar cores a suas ações tal como as formas de Monet que nos mostram sentidos nunca perdidos.

E deixe que em Você fale o ser e através dele o espírito que dá vida e dialoga com o insondável mistério do existir.

(*)Dra. Arlete Sendra é graduada em letras clássicas (português, latim e grego), é mestre em Literatura Brasileira, Doutora em Literatura de Língua Portuguesa e Pós-doutorada em semiótica. Atualmente, é docente e pesquisadora da UENF e membro da Academia Campista de Letras.

Extraído: Jornal Mania de Saúde - Dez/2011

11 de dez. de 2011

Presente para Jesus


Acordei nesse dia de dezembro com vontade de comprar um presente para Jesus, afinal, não existe maior amigo que o Mestre dos Mestres, e no dia 25 o aniversário é Dele.

Saí cedo de casa e fui ao maior shopping-center da cidade, pensei primeiramente numa camisa branca, mas quando vi que o branco mais branco da Terra ainda era cinza perto da sua pureza, fiquei com vergonha e desisti.

Em outra vitrine vi um sapato de couro, lindo e caríssimo, mas quando lembrei dos seus pés calçados pelas sandálias da missão cumprida, achei que não existiria na Terra algo tão confortável que merecesse seus pés.

Uma caneta de ouro, foi isso que a próxima vitrine me apresentou, uma linda caneta de marca famosa, seria um lindo presente, mas lembrei-me que Ele nunca escreveu nada, tudo que Ele falou, mostrou na prática, servindo e amando sempre.

Lembrei-me, que um dia Ele falou que não tinha sequer um travesseiro para recostar sua cabeça, e pensei no melhor travesseiro de plumas de uma loja especializada em sono, era importado e muito confortável, mas lembrei-me que os justos dormiam tranqüilos e que Ele jamais usaria o travesseiro.

E, assim fui olhando as vitrines, abotoaduras de ouro, carros importados, malas de viagem, bebidas finas, comidas importadas, imóveis luxuosos, tudo supérfluo, tudo matéria que o tempo iria corroer. Confesso que saí um pouco chateado do Shopping, afinal eu saíra para comprar um presente para Você Jesus, e não havia achado nada.

Na porta do Shopping um menino muito miudinho sorriu para mim, perguntou meu nome e eu o dele, fiz cócegas em sua barriga, ele riu e me estendeu a mão, tinha o rosto muito sujo, as mãos encardidas, perguntei pela sua mãe, ele deu de ombros, sobre o pai, nem sabia o que era isso... perguntei se ele queria tomar um lanche, ele sorriu um sim, pegou na minha mão.

Na porta do Shopping olhou para suas roupas e olhou para mim, sabia que não estava corretamente vestido, peguei-o no meu colo, era a senha para ser feliz, seus olhinhos miúdos percorriam aquelas luzes, enfeites e pessoas bonitas como se fosse um filme de Walt Disney...

Na lanchonete sentou na cadeirinha giratória e sorriu como "reizinho", e entre uma montanha de batatas fritas, ríamos felizes como dois velhos amigos.

Falamos sobre bolinha de gude, pipas e bola de futebol, coisas importantes para o ser humano, principalmente quando somos crianças. Devoramos dois lanches, e quando perguntei se ele queria um sorvete gigante como sobremesa, seus olhos brilharam feito o sol, pedi um instante, fui até o caixa, quando voltei com os sorvetes na mão ele já não estava ali, por instantes pensei que ele tinha ido ao banheiro, ou estaria olhando a lanchonete, mas não estava ali mesmo.

Foi quando sobre a caixa de batatas vazias vi um papelzinho, um bilhetinho escrito com letra miúda que dizia assim:

"Obrigado pelo melhor presente de aniversário que poderia me dar, fizeste feliz um dos pequeninos do mundo!"
Assinado: Jesus

(Paulo Roberto Gaefke)

10 de dez. de 2011

Você é espelho

Quando tudo a sua volta for escuridão, use seu brilho interior.

Quando todos desacreditarem da sua capacidade, mostre a sua força e insista um pouco mais.

Quando tudo parecer mais forte e te sufocar, mire no seu objetivo e continue lutando.

Desistir de um plano, de uma meta ou objetivo, é ficar andando em círculos.

É como recomeçar em uma longa estrada...

Não ouça os pessimistas, acredite na sua idéia, na sua força.

Poucos são aqueles que fazem previsões otimistas, a grande maioria aposta na derrota.

Faça a diferença!

Existem milhares de médicos, psicólogos, contadores, advogados, mas você é único, e pode criar um diferencial na sua profissão, seja pela simpatia, pela competência, pela inovação. Seja diferente, seja moderno, seja aberto ao mundo.

Resolva-se interiormente: decida-se por um objetivo e concentre todos os seus recursos nessa conquista. Ninguém resiste aos determinados.

Não aceite a suituação como lhe aparece. Limpe a sua mente, fuja da miséria.

Para terminar, lembre-se: Deus é abundância. Deus é prosperidade, é alegria, é vida, não se contamine com a dor, com a doença, com a pobreza.

Não aceite uma vida triste, sem cor, sem amor, sem saúde, sem dinheiro, sem respeito.
Você nasceu para brilhar, para vencer, para mostrar aos outros o que é viver em harmonia com a vida, com Deus e com você mesmo.

Seja espelho da alegria, afinal de contas, você é Filho do Homem!

Eu acredito em você!

Paulo Roberto Gaefke

20 de out. de 2011

Você é do tamanho de seus sonhos

Todas as grandes ações são fruto do sonho de alguém. A conquista da América, a chegada do homem à Lua, a construção de Brasília, o fim do apartheid na África do Sul – esses, entre tantos outros feitos memoráveis só se tornaram realidade graças à ousadia de grandes sonhadores.

Cristóvão Colombo, John Kennedy, Juscelino Kubitscheck e Nelson Mandela sonharam com a cabeça nas nuvens e os pés no chão. Sonharam com os olhos bem abertos. Foram tachados de visionários, mas acreditaram em seus sonhos e traçaram planos para realizá-los. Com a perseverança – comum aos grandes realizadores – envolveram outras pessoas na mesma causa, ultrapassaram obstáculos e – com muita determinação – mudaram a história de seu tempo...

Como eles, cada um de nós tem um, ou vários, sonhos. Ou já tivemos, antes de vê-los sufocados pelo peso dos afazeres diários... Mergulhada no ópio da rotina, a grande maioria das pessoas negligencia seus sonhos e vai perdendo a capacidade de sonhar. Se acomoda e vai levando a vida sem direção, sobrecarregadas e insatisfeitas.

Escravas de suas construções burocráticas e da fantasia de que um dia tudo mude, se ganharem na loteria, se a companheira deixar, se o chefe... ou se Deus ajudar... Ledo engano. Se não houver ações claras e direcionadas de sua parte não se iluda: tudo continuará exatamente do jeito que está. Empreender sonhos não é obra do acaso. Requer gestos conscientes, muita disciplina e determinação...

Sonho é desejo, é realização pessoal, é aspiração e... desafio.

E, quem pretende realizar seus sonhos precisa – em primeiro lugar – tirá-los da cabeça, colocá-los no papel e torná-los realidade com base em ações bem planejadas. Os grandes realizadores de sonhos fazem isso; prevêem cada passo que os conduzirá a seus objetivos e lutam tenazmente por eles. Se você tem um grande sonho, acredite nele, transforme-o em projeto viável, estabeleça metas e vá à luta.

Roberto Shinyashiki

25 de set. de 2011

Todos - Paulo Roberto Gaefke

O que depende de você, faça! O que depende dos outros, espere.

O que lhe cabe, assuma, o que não lhe pertence, deixe onde encontrou.

Para viver em harmonia, assuma riscos, compromissos que possa cumprir, tenha objetivos, não entregue a sua vida, nem tampouco o seu destino nas mãos de ninguém.

Complete-se, encha-se de si mesmo, preencha-se.

Há no Universo, tanta coisa para ser feita, e a energia ruim, que varre as ruas,
alcança primeiros os desavisados, os que não conseguem traçar um rumo, os dependentes, os incontroláveis.

Mexa-se!
Assuma um pedaço da grande tarefa, reclamar por si só não resolve nada.

Que tal agora, descruzar os braços da insatisfação, fechar os lábios que murmuram reclamação, e trabalhar em benefício de todos?

Lembrando-se sempre que todos somos nós mesmos, unidos com aqueles que deveríamos chamar de “irmãos”.

Há muita coisa para ser feita e não dá para ficar aí parado…

Eu acredito em você!

Paulo Roberto Gaefke

19 de set. de 2011

Por que amar dói

Por que amar dói tanto, se é o amor fonte de alegria e de felicidade?

Quando sonhamos com o amor, não sonhamos com tristezas, menos ainda com dor. Sonhamos com beijos, noites enluaradas e momentos a dois. Sonhamos com felicidade eterna e sem defeitos.

Mas quando o amor chega, ele nos desnuda. E quanto mais se apossa de nós, mais nos desnudamos. Nos tornamos expostos, à mercê do outro, que toma pra si nossas vontades. Nos tornamos transparentes.

Não se esconde de ninguém olhos amorosos. O amor transparece em nós como se estivesse escrito em grandes letras e todas as línguas. Daí nossa fragilidade diante de um sentimento tão grande.

A outra pessoa fica dona do nosso sorriso, ela controla nossa tristeza. Não conscientemente. Somos nós que, segundo palavras ou gestos, reagimos assim. E o amor dói em nós profundamente.

Mesmo no auge da felicidade, ele dói ainda. Dói de saudade, de medo de perder.

Deveria não ser assim. Deveria ser felicidade sem fim, sem altos e baixos. Sem lágrima derramada. Mas... teria o mesmo gosto? Seria o amor tão maravilhoso se não houvesse essa possibilidade de perda que faz com que nos agarraremos a ele com mais intensidade ainda?

Amar dói e é perfeito que seja assim. As rosas têm espinhos e é exatamente esse contraste que fascina tanto. E eu posso ainda espetar o dedo e até sangrar. Mas jamais deixarei de amar uma rosa!

Posso ainda estar desnuda de mim, sentir frio ou calor, mas ainda assim vou me entregar ao sentimento quando ele me acenar. Posso ainda chorar ou sorrir, querer morrer ou querer viver, mas esse caminho não quero evitar.

Não evitarei minhas dores, porque um minuto de felicidade a dois cobre (e com juros!!!) todas as dores do mundo!...

Letícia Thompson

Surpreenda-se

Descubra, em primeiro lugar, o que você tem de bom para oferecer ao mundo. Sabe aquele seu sorriso que encanta a todos? Ou aquele seu jeito de falar sempre educadamente, com carinho e atenção?

Quem sabe não seja a sua facilidade de cuidar dos doentes (do corpo e da alma)?

Pode ser, que todo mundo goste mesmo é da sua disposição e admirem ou até mesmo invejem a sua atitude sempre firme.

Hoje é dia de descobertas.

Coloque um desafio diferente para a sua vida.

Desafie-se! Prove-se!

Não seja pessimista ou otimista demais, caia na real e use a sua força, a sua fé, a sua determinação para buscar, ainda hoje, uma saída, uma conquista, uma mudança, por menor que seja, na sua vida rotineira.

Aliás, esse é o maior desafio para muita gente: sair da rotina. A maioria sente-se incapaz de mudar o roteiro de sua vida, sair daquele velho trajeto que acostumou a fazer todos os dias.

Tem muita gente que é infeliz, porque aceitou e acostumou-se com a infelicidade.

Porque botou na cabeça que não merece ser feliz, que sua vida não tem solução.
E isso não é verdade porque tudo pode ser diferente.

Então aqui vai uma proposta. Um desafio: faça algo diferente na sua vida.

Pode ser na maneira de vestir-se. Pode ser na mudança do cheiro (perfume) de sempre.

Pode ser no jeito de falar. Pode ser no jeito de andar.

Pode ser no trajeto de casa para o trabalho ou vice-versa.

Que tal, só para variar, pegar um ônibus ou um trajeto errado?

Faça alguma coisa para sair da rotina:
Surpreenda a pessoa amada, mande flores, um cartão animado, uma mensagem fonada.
Surpreenda seus pais e pendure-se no pescoço deles enchendo-os de beijos.
Surpreenda um amigo e diga o quanto ele é importante na sua vida.
Surpreenda seu chefe e termine seu serviço com mais eficiência.
Surpreenda seus professores e tire nota máxima em todas as provas.
Surpreenda a você mesmo, e perceba que você é feliz com o que já possui.

Reconheça que possui qualidades maravilhosas que andam escondidas por algum trauma sofrido.

Por fim, surpreenda Deus, mostrando que você não é apenas um ser pedinte, um mendigo da esmola divina, e agradeça pelo que tem.

Por Paulo Roberto Gaefke

5 de set. de 2011

O bem maior

Não existe maior bem do que fazer a felicidade de alguém. Nem nada menos caro, nem mais fácil, pois que a felicidade é algo que se pode oferecer em gestos, e atenções.

Se olhamos à nossa volta, percebemos que a carência humana está no fato das pessoas terem perdido os valores imateriais a favor dos materiais.

Compra-se quase tudo em nossos dias...mas o bem ninguém compra. Compra-se até companhia, mas não a sinceridade.

Compra-se conforto, mas não a paz de espírito, não a tranqüilidade, menos ainda a felicidade. Esta a gente oferece.

Há uma grande diferença entre o dar e o oferecer. Quando damos, estendemos a mão, mas quando oferecemos... é nosso coração que entregamos junto, é um pedacinho de nós que vai caminhando na direção do outro e o bem que ele provoca retorna ao nosso interior.

Tornamos pessoas felizes quando damos de nós mesmos. E damos de nós quando oferecemo o que quer que seja de coração escancarado.

O grande mal do mundo consiste no fato das pessoas guardarem coisas para si. Guardam bens, guardam sentimentos, guardam declarações, guardam ressentimentos, falam ou calam na hora errada. Vivem de aparências com as gavetas da alma repletas de coisas inúteis. E quando morrem, tornam-se pó, como todo mundo, sem ter aproveitado o tempo para compartilhar, com honestidade, o bem que a vida lhes ofereceu.

A maior herança que podemos deixar à humanidade é o amor que oferecemos de várias formas, são as pequenas felicidades do dia-a-dia que vamos distribuindo aqui e acolá, a compreensão que acalma as almas inquietas e a ternura que abranda os desenganos da vida.

E o que representa a felicidade hoje pode não representar amanhã. Por isso ela é tão múltipla, tão incompreendida e tão necessária. Por isso é tão importante distribuir sorrisos, plantar flores, fazer visitas, dar bom dia e boa noite, não se esquecer dos abraços e dos te amo imprescindíveis ao coração.

Letícia Thompson

19 de ago. de 2011

Deixe o menino sonhar

Meus sonhos são o resultado das necessidades:
do adulto responsável que tento ser,
com a inocência da criança que habita em mim.
Por isso, as vezes, desejo coisas tão simplórias,
como um dia no parque, livre dos compromissos,
e em outras, dinheiro para pagar todas as contas.

Vivo nesse conflito:
o adulto que precisa trabalhar,
e a criança que quer se libertar.
Então surge desencontro;
entre o que eu desejo e o que eu preciso.
“Nem sempre o que eu desejo, é o que eu preciso,
e o que eu preciso no dia de hoje, nem sempre é o que eu desejo.”

Desejo, necessidade, vontade,
quantos contrastes.
Acho que o mundo precisa de mais coisas simples.
Como um “MP10″ por exemplo,
que toca música, fotografa, copia, imprime,
faz salada e ainda manda via Internet.
Precisamos de um amor assim: tudo em um,
apaixonado, fiel, servil, sempre pronto para o amor,
que não cobre nada, que não reclame.
Que tal um emprego “MP10″?
ótimo salário, poucas horas de trabalho, sem gente chata,
sem cobranças de relatórios ou de produção?

Pronto, mais uma vez, a criança que habita em mim quer sonhar,
deixar o mundo mais leve, menos cinza, mais colorido.
Pois até nisso nos limitamos!
Temos medo de sonhar, de parecer louco,
de desejar o que achamos impossível.
E o que é verdadeiramente impossível?
Talvez, seja impossível comprar o Taj-Mahal,
mas, nada nos impede de construirmos um novo,
só para o nosso amor.

E o menino que habita em mim sorri,
diz que sim! que tudo é possível.
E olhando nos teus olhos, ele brinca,
e com a seriedade do adulto, afirma:
você pode conquistar o mundo!
Desde que ele seja parte dos teus sonhos,
e que você acredite que é possível.
Os limites estão apenas dentro de você.
Deixe o menino sonhar…

Eu acredito em você...

Paulo Roberto Gaefke

Jardim de infância

Tudo o que hoje preciso realmente saber, sobre como viver, o que fazer e como ser, eu aprendi no jardim de infância. A sabedoria não se encontrava no topo de um curso de pós-graduação, mas no montinho de areia da escola de todo o dia.

Estas são as coisas que aprendi lá:

* Compartilhe tudo.

* Jogue dentro das regras.

* Não bata nos outros.

* Coloque as coisas de volta onde pegou.

* Arrume a sua bagunça.

* Não pegue as coisas dos outros.

* Peça desculpas quando machucar alguém.

* Lave as mãos antes de comer.

* Dê descarga após usar o vaso sanitário.

* Biscoitos quentinhos e leite frio fazem bem para você.

* Respeite o outro.

* Leve uma vida equilibrada: aprenda um pouco, pense, desenhe, pinte, cante, dance, brinque e trabalhe um pouco todos os dias.

* Tire uma soneca à tarde.

* Quando sair, cuidado com os carros; dê a mão e fique junto.

* Repare nas maravilhas da vida.

* Lembre-se da sementinha no copinho plástico: as raízes descem, a planta sobe e ninguém sabe realmente como ou porque, mas todos somos assim.

* O peixinho dourado, o hamster, os camundongos brancos e até mesmo a sementinha no copinho plástico, todos morrem. Nós também.

Tudo o que você precisa saber está lá, em algum lugar. A Regra de Ouro é o amor e a higiene básica. Ecologia, política, igualdade, respeito e vida sadia.

Pegue qualquer um desses itens, coloque-o em termos mais adultos e sofisticados e aplique-os à sua vida familiar, ao seu trabalho, ao seu governo ou ao seu mundo e verá como ele é verdadeiro, claro e firme.

Pense como o mundo seria melhor se todos nós, no mundo todo, tivéssemos biscoitos com leite todos os dias, por volta das três da tarde pudéssemos nos deitar, com um cobertorzinho, para uma soneca. Ou se todos os governos tivessem, como regra básica, devolver todas as coisas ao lugar em que elas se encontravam e arrumassem a bagunça ao sair?

E é sempre verdade, não importando a idade: ao sair para o mundo, é sempre melhor dar as mãos e ficar junto.

Robert Fulghum

16 de ago. de 2011

A verdadeira beleza

A beleza que tanto buscamos está no nosso interior.

Não há roupa, nem penteado que embeleze a falta de caráter.

Vivemos em um mundo preocupado com o exterior, onde tudo tem que haver uma retribuição, até no amor, espera-se “recompensa”.

Nas brigas de casais, amigos ou familiares, quase sempre ouvimos queixas do tipo:
- depois de tudo o que eu te fiz!

Verdadeiras cobranças infundadas, cheias de mágoa e ressentimento, frutos das atitudes exteriores que praticamos.

Esperamos demais sem oferecer tanto assim.

Alma querida! Antes que o sol se ponha novamente, aprenda:
- O que vale é o que vai dentro de você!

Faça tudo com serenidade, mantenha-se de bem com você.

Faça o seu melhor, não espere nada dos outros, você mesmo deve olhar para o que fez e sentir-se bem. Ainda que venham críticas, desaforos, mal-agradecimentos, nada disso vai te afetar, porque você sabe que fez o melhor.

Vista a alma com bons pensamentos, perfume-a com boas ações.

Penteie as emoções com o bem, seja uma pessoa linda no seu interior, e brilhe pelo encanto de refletir na sua face, a própria face de Deus.

Aquilo que somos é o nosso mundo!

Eu acredito em você.

Paulo Roberto Gaefke

13 de ago. de 2011

Erga-se!

Sabe aquele momento que a gente pensa que chegou no limite das próprias forças e que não vai mais conseguir avançar?

Quando não contemos as lágrimas (e nem devemos!) e tudo parece um grande vazio...

Esse momento que, não importa a nossa idade, pensamos que já é o fim... e um desânimo enorme toma conta da gente...

Esse momento, ao contrário do que parece, é justamente o ponto de partida!!!

Se chegamos a um estado em que não avançamos mais, é que devemos provavelmente tomar uma outra direção.

Quando chegamos a esse ponto de tal insatisfação é sinal de que alguma coisa deve ser feita.

Não espere que os outros construam pra você, planeje e faça!

Você é responsável pelos próprios sonhos e pela realização destes.

Nas obras da vida não precisamos de arquitetos para planejar por nós.

Com um pouco de imaginação e um muito de boa vontade podemos reconstruir sozinhos a casa que vamos morar e o futuro que nos oferecemos.

É humano se sentir fragilizado às vezes e mesmo necessário para que tenhamos consciência que não somos infalíveis, não somos super-heróis, mas seria desumano parar por aí.

E injusto, para os outros, mas principalmente para consigo mesmo.

Recomeçar é a palavra!

Recomeçar cada vez, a cada queda, a cada fim de uma estrada!

Insistir!...

Se alguém te feriu, cure-se!

Se te derrubaram, levante-se!

Se te odeiam, ame!

Erga-se!

Erga a cabeça!

Olhando pra baixo só podemos ver os próprios pés.

É preciso olhar pra frente.

Plante uma árvore, faça um gesto gentil,tenha um atitude positiva.

É sempre possível fazer alguma coisa!

Não culpe os outros pelas próprias desilusões, pelos próprios fracassos.

Se somos nossos próprios donos para as nossas vitórias, por que não seríamos para as nossas derrotas?

Onde errou, não erre mais!

Onde caiu, não caia mais!

Se você já passou por determinado caminho, deve ter aprendido a evitar certas armadilhas. Então, siga!

Não se esqueça de uma grande promessa feita na Bíblia:

"Esforça-te e eu te ajudarei."

Dê o primeiro passo... depois caminhe!!!

Tenho certeza que a felicidade não mora ao seu lado, nem à sua frente, ela está junto de você!

Descubra-se, faça-se feliz e tenha um lindo dia!

Letícia Thompson

1 de ago. de 2011

O Supremo, de mau a pior

Digo e provo. Cada povo tem o Supremo que merece. Não é por outro motivo que convivemos com tantas decisões chocantes, contra as quais nada, absolutamente nada se pode fazer porque expressam a vontade da mais alta Corte. A Corte... Já escrevi sobre isso. Uma das características de toda corte é seu alheamento em relação à realidade. É um alheamento que começa no luxo dos salões, nas mordomias dispensadas aos cortesãos, nas necessárias garantias que lhes são concedidas com exclusividade em relação à caterva circundante. E que, como não poderia deixar de ser, se reflete na visão de mundo e nos critérios de juízo. A corte contempla a realidade com luneta de marfim e ouro, enquanto balança os pés à borda de uma cratera lunar, lá no mundo onde vive. Marfim e ouro? Sim, marfim e ouro. Afinal, aquela Corte tem 11 membros, um orçamento de R$ 510 milhões (um sexto do orçamento da Câmara dos Deputados com seus 513 membros) e cerca de 2600 funcionários, entre servidores concursados, terceirizados e estagiários (cf. Luiz Maklouf Carvalho, Revista Piauí, ed. 57).

Por outro lado, dado que cada povo tem o governo que merece, sendo o governo quem escolhe os ministros do Supremo, a frase que se aplica àquele, faz-se vigente, também, para este. Lula cansou de nomear ministros para o STF. A presidente Dilma tem mais quatro anos para fazê-lo. Antes dos dois, FHC era adepto do mesmo relativismo e materialismo. Quod erat demonstrandum: duas décadas de governos com esse perfil deu-nos o STF que temos. Então, entrega a Amazônia para os índios; então, solta o Battisti; então, véu e grinalda para as uniões homossexuais; então, marche-se pela maconha. E preparemo-nos para o que vem por aí, pois desse mato continuarão saindo cobras e lagartos. Está tudo dominado!

Não conheço um único pai, uma única mãe que chame seu filho e lhe diga: "Filhão, já que hoje é sexta-feira, toma vinte e vai comprar uma erva". Ou então: "Guri, vai fumar esse baseado no teu quarto que eu não suporto esse cheiro". Não. Todo o esforço vai no sentido de alertar os filhos para os riscos do consumo de uma droga cujos menores danos ocorrem na saúde dos pulmões, na redução da atividade cerebral e da intelecção, na perda de interesse pelos estudos, e na percepção de tempo e espaço. E cujos maiores prejuízos advêm da motivação para o uso de substâncias ainda mais tóxicas e que geram dependência muito maior. Quem não está no mundo da lua sabe que raros são os usuários de outras drogas que não entraram nesse buraco sem fundo pela abertura proporcionada pela cannabis.

Consultado sobre a marcha da maconha, que faz STF? Decide que o que estava em julgamento era a liberdade de expressão... E a maconha ganha as ruas. Desnecessário continuarem marchando. Podem os chapados parar de caminhar. Nada consagrará mais o consumo e o brindará com maior tolerância do que essa decisão do STF! A partir dela, ficou muito mais difícil aos pais convencerem os filhos de que aquela substância cuja marcha foi liberada lhes será nociva ou, até mesmo, fatal. Note-se que a posição ocupada pela maconha na longa e mortal galeria das drogas, é absolutamente estratégica e se baseia, exatamente, na difusão da ideia de que ela "faz menos mal do que o tabaco". O tabaco faz mal, sim, e por isso está banido do mundo publicitário, mas ninguém saiu dele para a cocaína ou para a heroína.

Os membros do STF têm sido perfeitamente capazes, para atender seus pendores, de espremer princípios constitucionais e extrair deles orientações que contrariam a letra expressa e a vontade explícita dos constituintes. Mas sequer cogitaram de fazer o mesmo em relação à marcha que propagandeia a maconha. Saibam, contudo, os leitores: não faltariam aos membros da Corte preceitos constitucionais relativos à proteção da infância e das famílias para uma decisão que travasse a propaganda da maconha. Bastaria que houvesse em relação ao bem estar social um apreço superior ao que eles demonstram por suas próprias filiações filosóficas. Podem começar a marchar, agora, pelo óxi, pelo crack e pela cocaína. A Corte vai deixar. Ela está nem aí.

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* Percival Puggina (66) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site www.puggina.org, articulista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões.