A Mulher Selvagem
Ser uma mulher selvagem nem sempre é fácil. Você respira um ar diferente de muitas outras pessoas; sua alma anseia por autenticidade, plenitude, verdade, enquanto os outros esperam de você adequação, bom comportamento, alienação.
Você chora quando triste, grita quando ferida, rosna quando ameaçada, e ataca, se for preciso, como toda boa loba!
Mas, esperavam que você se sentasse sobre as patas, placidamente, e aceitasse, calada, enquanto arrancavam suas presas e a colocavam na coleira, como se, ao invés de uma loba, você fosse um cão domesticado, tosado e penteado, e só servisse para exibição.
Como eu disse, ser uma mulher selvagem não é fácil!
Se, assim como eu, você sempre foi uma loba, mesmo quando não sabia disso, é quase certo que a sua família tenha tentado te domar, inúmeras vezes, na infância e adolescência. Na verdade, é quase certo que ainda tentem, e a chamem de esquisita, revoltada, estranha, hiper-sensível, emotiva, exagerada, radical, louca, diferente... no mínimo. E é muito provável que, mesmo adulta, às vezes, você duvide de si mesma, por causa disso.
Bem, anime-se, minha amiga loba!
Se assim como eu, você sempre foi uma mulher selvagem, você logo voltará a respirar fundo, uivar alto, e seguir seu caminho, sem se importar com os resmungos dos ditos civilizados. Pois, é da natureza do lobo se recolher a uma toca, quando é necessário se curar de um ferimento, lamber as feridas por algum tempo, e depois saltar, determinada, com o rabo peludo balançando e as presas afiadas, pronta para caçar, amar, lutar, parir, e defender o seu território novamente. Pois, a desistência não faz parte da natureza do lobo!
E, a melhor parte, em algum lugar há uma alcateia só esperando por você! Aqui mesmo temos uma.
E, a melhor parte, em algum lugar há uma alcateia só esperando por você! Aqui mesmo temos uma.
Sejam muito bem vindas sempre, lobas e lobos! É uma honra uivar com vocês!
(Daniela B. Oliveira)
(Daniela B. Oliveira)

