O SOM DO SILÊNCIO
(Simone Fernandes)
E de tanto gritar a voz se calou.
E aquele silêncio causou o pânico
Para quem por uma vida só ouviu gritos
E não escutava o som da própria voz.
E o silêncio se fez penetrante, ensurdecedor
Pela casa não mais ecoou a voz que tirava a paz.
Mate o silêncio que me ensurdece.
Traga de volta aquele grito que ecoava na alma,
Que trazia o medo ou riso,
Que trazia o movimento e alegria
Daquilo que hoje reflete no vazio estático da dor.
Traga o grito da alma que pedia silêncio
E que agora pede sua morte
para que não mais ecoe.
Um louvor ao grito, rival do silêncio opressor,
Que enche de saudade aquela casa
que um dia desconhecia o silêncio
Por que a voz agora se calou,
Um louvor ao grito, rival do silêncio opressor,
Que enche de saudade aquela casa
que um dia desconhecia o silêncio
Por que a voz agora se calou,
e o silêncio passou a gritar.
Calem o silêncio que ensurdece minha alma,
Traga-me o grito que alegrava meu coração.
De nada adianta o apelo, agora o
silêncio ecoa pelos cantos do mundo.
Abduzida pelos céus, ela se foi.
Calem o silêncio que ensurdece minha alma,
Traga-me o grito que alegrava meu coração.
De nada adianta o apelo, agora o
silêncio ecoa pelos cantos do mundo.
Abduzida pelos céus, ela se foi.
Cessou o grito e o silêncio faz seu alarde.

