Tem dor discreta, afeita à pouca luz, que fere com calma, cresce sem fazer ruído, e nos surpreende quando resolve nos contar que está lá.
Tem dor que se camufla e se mistura tão perfeitamente às folhagens de algumas emoções, que ao sermos golpeados não conseguimos discernir a origem do ataque.
Tem dor antiga que, ao longo da vida, muda de tom, em dégradé, mas sempre arruma uma maneira de doer. Tem dor recém-chegada, as malas ainda no chão, que a gente não sabe sequer o nome que tem.
Tem dor de tudo o que é jeito na alma.”
(Ana Jácomo)

