CHEGUE NA PAZ

15 de mar. de 2020


"Lavem as mãos
Mas caminhem descalços
E beijem a terra ferida.
Espirrem para o cotovelo.
Mas limpem as lágrimas de quem chora.
Não viajem à toa
Agora está na hora de ficar quieto
No mundo,
Para nos movermos em nós mesmos
Dentro dos espaços finos
Do sagrado e do profano.
Usem as máscaras.
Mas façam a catedral da vossa respiração,
Da respiração do cosmos.
Ouçam as notícias.
Que finalmente falam de nós
E do maior milagre que
Nunca repararam:
Estamos vivos.
E não nos alegra morrer.
Por cada novo contágio
Acariciem um cão,
Plantem uma flor,
Liguem a um amigo de quem sentem falta,
Contem um conto de encantar a uma criança.
Agora que todos contam os mortos
Tu contas os vivos,
E vives para contar,
Deem apenas o último momento
À morte,
Mas até lá
Vivam o infinito,
Consagrados ao eterno".

(Andrea Melis)