No dia seguinte levanto a beiradinha do tapete, retiro umas coisas, escondo outra. Aliás, tem dias que entulho tanta coisa lá debaixo, que derruba o que tiver em cima.
Brigo com o mundo, choro um pouquinho, me sinto a mais desequilibrada das mulheres, espero pelo dia seguinte. Mas há manhãs em que acordo cheia de amor próprio. Dou risada deste auê todo.
Ignoro o tapete já pau a pau com o Monte Everest, e vou bela e formosa (cansada e de piranha no cabelo) tomar um banho demorado.
Algumas tardes viro a revolucionária do tapete. Brota no corpo uma energia que sabe-se lá da onde veio (provavelmente do brigadeiro de colher que comi escondido 3 noites atrás).
E lá vou eu disposta a colocar tudo em dia. E não é que eu quase consigo? Se não fosse pelo quase… E é assim. Frustrante, alegre, desesperador, feliz.
Um eterno varre, esconde, esvazia. Não se deixe enganar, tem sempre um tapete. Na casa de algumas ele fica mais visível, logo na sala.
Já outras preferem usar o do corredor. Mas ele está lá. Tem que estar. Se não a gente enlouquece.
Por trás destas imagens, existe uma mulher comum. De carne, osso, querendo emagrecer no mínimo 8kgs.
O denominador comum é o amor, que quando colocado na balança quebra o ponteiro. Vira o jogo. Não dá nem chance.
O coração é invadido por gratidão. E com lágrimas nos olhos agradecemos por tudo. Até mesmo pelo tapete.”
(Texto de Magia do Amor)

