CHEGUE NA PAZ

19 de dez. de 2023



“Acho estranho quando me perguntam como eu dou conta de tudo. A resposta é simples, sem graça. Eu não dou. Não dou mesmo. Seleciono prioridades, foco no que dá, varro o resto para debaixo do tapete.

No dia seguinte levanto a beiradinha do tapete, retiro umas coisas, escondo outra. Aliás, tem dias que entulho tanta coisa lá debaixo, que derruba o que tiver em cima. 

Brigo com o mundo, choro um pouquinho, me sinto a mais desequilibrada das mulheres, espero pelo dia seguinte. Mas há manhãs em que acordo cheia de amor próprio. Dou risada deste auê todo. 

Ignoro o tapete já pau a pau com o Monte Everest, e vou bela e formosa (cansada e de piranha no cabelo) tomar um banho demorado.

Algumas tardes viro a revolucionária do tapete. Brota no corpo uma energia que sabe-se lá da onde veio (provavelmente do brigadeiro de colher que comi escondido 3 noites atrás). 

E lá vou eu disposta a colocar tudo em dia. E não é que eu quase consigo? Se não fosse pelo quase… E é assim. Frustrante, alegre, desesperador, feliz.

Um eterno varre, esconde, esvazia. Não se deixe enganar, tem sempre um tapete. Na casa de algumas ele fica mais visível, logo na sala. 

Já outras preferem usar o do corredor. Mas ele está lá. Tem que estar. Se não a gente enlouquece.

Por trás destas imagens, existe uma mulher comum. De carne, osso, querendo emagrecer no mínimo 8kgs.

O denominador comum é o amor, que quando colocado na balança quebra o ponteiro. Vira o jogo. Não dá nem chance.

O coração é invadido por gratidão. E com lágrimas nos olhos agradecemos por tudo. Até mesmo pelo tapete.”

(Texto de Magia do Amor)