Já não procuro estar com figurantes, mas com pessoas.
Já estou cansado de falsidades e anseio por vidas genuínas, gente que vive sem medo dos outros, que fala a sua verdade com a mesma naturalidade com que respira, que são gênios sem precisar de saber muito de tudo, que não criam a ilusão de estar a correr depressa demais ou mais do que eu, que não me querem convencer de nada, que me surpreendem sem abrir a boca, que fazem o difícil parecer acessível, que defendem o que acreditam sem medo de ser julgadas ou caluniadas, que gostam do que gostam apenas e simplesmente porque não precisam de explicar por que razão gostam.
Já não me apetece mais conviver com quem me mente ou me bajula, com quem mostra fingidos desejos e faz falsas promessas, com quem não sabe ficar em silêncio diante do meu silêncio, com quem vive à margem da dor dos outros e fala em demasia das suas, com quem não consegue improvisar nem deixar uma marca de agradável diferença.
Posso até parecer exigente no que quero, mas não sou.
Sou apenas alguém que sabe o que não quer na sua vida.
(José Micard Teixeira)
