CHEGUE NA PAZ

17 de out. de 2021



A presença não é nada se ela é apenas física. Ter alguém do lado que nos toca, mas não nos sente, é quase o mesmo que estar só. Porque estar com alguém é ver, é tocar, é ouvir, é sentir. Não só com o corpo, mas com a alma.

Presenças frias e distantes são piores que a solidão, pois fazem a gente se sentir sozinho, mesmo estando acompanhado. Ter alguém do lado só vale a pena se essa presença for inteira.

Quando o corpo de uma pessoa está do nosso lado, mas sua mente e sua atenção não permanecem conosco, a conexão se desfaz.

Os elos entre as pessoas se constroem na atenção dada nos detalhes, na escuta que não se apressa, no afeto que se mostra nos gestos, no olhar que vê e enxerga além da aparência, nos momentos de silêncio onde paira o conforto e a segurança entre os seres.

É nesses contatos sutis e essenciais que o amor acontece, e que os seres se aproximam, ainda que distantes, pois mantêm forte o laço de amor que os une. Sabe-se que ama, não só porque diz, mas porque mostra.

Sabe-se que está presente, porque mesmo quando fisicamente distante, o afeto sempre se faz notar. No fundo a gente sabe quando alguém está conosco, e quando alguém já saiu de nossas vidas, mesmo que seu corpo permaneça ali.

A presença tem que se fazer sentir. Pois nada pior que estar com alguém que não nos vê, não se importa, não faz questão. Alguém que não se faz presente de verdade, que apenas “está ali”.

Não basta estar, é preciso se fazer sentir. Porque só assim a presença faz sentido. Do contrário, é melhor ficar só, do que ao lado de quem nos faz nos sentirmos sozinhos, mesmo acompanhados.

O amor só se mostra na presença. De corpo, e acima de tudo de alma!

(Alexandro Gruber)