7 de mar. de 2020
A romantização da mulher guerreira
A que vive morta por dentro e não pode demonstrar canseira.
A romantização do abandono
A romantização de noites mal dormidas e a ausência do sono.
Aquela que tudo suporta, que tudo aguenta
Aquela que a mídia estereotipa e reinventa.
Aquela que já não mais aguenta o fardo
Filhos, casa, marido e mercado.
Aquela que não ouve "precisa de uma mão?"
Aquela que está na guerra enfrenta bomba e canhão.
Aquela que está com o mundo nas costas
Cansada, exausta e sem respostas.
Aquela que já entendeu que vive só
Sem olhares nem de pena ou de dó.
A guerreira, a mula de carga da vida real
A que serve de garupa e sem cela.
Aquela que já não suporta a exaustão
Mas vira símbolo de resistência de uma nação.
Guerreira pra quem?
Pra ninguém.
Responsabilidade mal distribuída
Anulada, silenciada e eles dizem
"Ah, ser mulher é isso, é a vida".
(Janaína Costa)

