CHEGUE NA PAZ

12 de ago. de 2019


Honra teu pai.
Isto não quer dizer que concordes com ele.
Mas compreende suas limitações.
Tira dele a carga do super-herói.
Não, isto nunca esteve a seu alcance.
Vê este homem como um ser humano tão frágil quanto tu.
A ele coube a missão de representar a energia Yang na família.
E tu, precisavas disto para poder desenvolver-te. Pois bem, ele o fez. E o fez com a maturidade, imaturidade, preparo e despreparo que lhe eram peculiares naquele momento.
Talvez tenha ferido...
Mas feriu tanto quanto a criança ferida que carrega... Sai da vítima. E poderás enxergá-lo melhor.
Sai do ângulo da menininha, do menininho... Sai do ângulo da criança que vive em teu interior, de onde o enxergas como causador de muitas de tuas dores... Respeita tuas dores e suas causas, mas se puderes dar um passo ao lado, um novo ângulo surge e nele teu adulto vê teu pai como um homem. E pode assim compreendê-lo ainda melhor.
Um homem... Sente... Um homem...
Com sua história, sua infância, seus medos, conquistas e infortúnios... O olhar criança-pai precisa ser acolhido e compreendido... Tanto quanto o olhar adulto-homem precisa ser descoberto... Honra teu pai.
Reconhece seu valor, no aparente desvalor.
Oferece-lhe a paz necessária para tua própria paz.
Compreende que neste mundo tudo se trata de complexa, mas divina alquimia.
E no mistério das coisas que pouco alcançamos pela razão, entende:
Nunca houve engano.
Era pra ser ele.

(Nina Zobarzo)