
V. Ex.ª A SER ELEITO FUTURO PRESIDENTE DO BRASIL ME CHAMO MARIA...
...e tenho apenas 12 anos. Conheci bem cedo a face da tristeza da injustiça e a cruel pobreza. Moro num lugar esquecido, onde tem sido o purgatório do meu mundo.
Onde a desigualdade social tem sido cada vez mais presente da janela do meu quintal.
Onde a violência e a miséria por aqui é normal.
Onde falta água para beber, luz para assistir TV e até o pão-de-cada-dia para comer.
Sim... por aqui, tudo anda muito feio, escuro e descolorido. Não há pássaros a cantar... não há borboletas a voar... não há joaninhas a passear... não há girassóis no vento a bailar... não há beija-flores a encantar... não há uma nova aurora a raiar... não há... porque em todo lugar para onde olho... só vejo dor e descaso.
Sabe... meu pai todo dia, levanta às quatro da manhã, e sai para trabalhar na roça, com os pés descalços, nesse pedaço de chão. Chega à noite, exausto com uns trocados, que mal dá para nos alimentar. Somos 6 filhos, e eu tomo conta deles.
Minha mãe é uma guerreira, acorda também cedinho, e tenta da melhor maneira, nos educar. Carrega todo santo dia, baldes de água na cabeça, da única fonte que há, alguns metros de distância, que existe neste lugar. Lava, passa, cozinha o pouco de alimento que tem, na velha e enferrujada geladeira; isso quando sobra alguma coisa pro outro dia. Ahh... tantas vezes já dormimos de barriga vazia...
Eu quero estudar... ser professora, que é para outras crianças ajudar, ao meu país melhorar; mas a única escola que existe aqui, neste fim de mundo, quase sempre não está a funcionar. Não tem cadeiras para se sentar, a parede rachada parece que vai desabar, o quadro de giz antigo, não dá para enxergar, os professores moram longe, e se sacrificam de barco, para aqui chegar; isso quando o rio dá para navegar...
O que dizer da seca? Vejo animais sendo enterrados vivos, todo dia... sobra calor... sobra panela vazia... falta saneamento, falta escoamento, falta hospitais, falta segurança, falta educação, falta alguém que venha aqui; e veja a nossa realidade, e seja o nosso irmão...
Queremos, Senhor Presidente, uma emergente e notória solução! Por aqui não há brinquedos shoppings, teatros, parque de diversões... minha única boneca está sem roupa, sem sorriso, sem face e sem brilho.
Como está ferido o meu coração. A minha alegria, é que já nasci poeta... todo segundo é uma vida de partida, todo dia é morte, é tragédia, é bala perdida numa esquina, todo minuto é mulher sendo vítima de estupro, é um corpo sendo achado no chão, é preconceito e desrespeito nas ruas e dentro das casas... sim eu já vi... é uma guerra doentia e sangrenta, sem ter coração, é um idoso sendo mal cuidado, é um doente sendo desrespeitado, é um animal sendo maltratado, é o pobre sendo humilhado, é a natureza clamando por socorro.
Como fingir não ver? Estamos todos já tão cansados! Nada anda bonito na face deste país... nem pra mim, nem pra ninguém, e nem pra você. Como tapar os olhos e fingir não ver?
O Brasil está doente, meu Deus, para onde vamos? Por onde anda o tão puro amor? E enquanto muitos fingem não ver, a roda da vida gira na escuridão, na miséria e na desgraça. E o menino com frio, fome e sozinho na praça implora cuidado, respira descaso, presencia o acaso, carece por um olhar, clama aos céus e mendiga por um pedaço de pão.
Enquanto os gananciosos e poderosos brigam por terra, status e poder... eu e minha família lutamos todo dia pra so-breviver! Ai de mim, se em meu coração não houvesse fé, sonhos e esperança. Sou apenas uma criança, implorando pela PAZ e AMOR no BRASIL que nasci, e quero em paz poder crescer!
Eu só quero um País digno em que eu possa em paz, Viver!
(Paula Monteiro)
Ahh... quantas Marias estão por aí, esquecidas nesta terra verde e amarela!
Esta CARTA vai em nome de todas as crianças,
velhos, jovens, animais...
Brasileiros que neste exato momento lutam para sobreviver, neste País tão gigante, tão rico e tão bonito...
Mas que por Ganância e Corrupção de alguns governantes, brigando por status, dinheiro, poder, terra... estão todos na miséria e bem distantes esquecidos.
QUE HAJA MELHORIA!
QUE HAJA SAÍDA!
QUE HAJA POESIA ...
QUEREMOS UM NOVO BRASIL!
