
O TRISTE PRETÉRITO DO AMOR
Éramos como o sangue e a veia,
como a raiz e a terra fertilizada;
o fogo e o pavio da candeia,
o gorjeio matutino e a alvorada.
Dois em um, a carne e a costela,
o dourado girassol e a borboleta;
o exímio artista e a pintura na tela,
o tempo e a areia da ampulheta.
O nosso doce amor me enternecia,
era luz de estrela e cheiro de mar;
quando em teus braços adormecia,
só desejava nunca mais acordar!
Meu coração era o teu valhacouto,
um abrigo seguro, ao entardecer;
ah, eu te amei... e não foi pouco!
Mais amaria, se pudesse escolher.
