CHEGUE NA PAZ

15 de jun. de 2018




Onde nasce o egoísmo.

De onde se origina esta forma de comportamento humano tão desumano? Como, aquele Ser que é movido a necessidades que ganham expressão emocional tão variada, do desvario da carência à gratidão e à solidariedade, pode assumir atitude tão indiferente, isolada no prazer exclusivo de sua auto satisfação?


Nossa precoce eclosão consciente no mundo se dá a partir de um período de total desconhecimento deste mesmo Mundo! Podemos nos dar a este luxo em nossas origens porque uma entidade quase mágica chamada “mãe” nos abriga em seu útero, neutralizando anonimamente, qualquer necessidade.

Pode ser que a saída do útero tenha sido vivenciada como um expulsão deficientemente compensada por uma presença materna frustrante.

Afinal, o acolhimento materno pós parto, devolve, mesmo que parcialmente, o bebê a uma ilusão de continuidade uterina enquanto adapta-se às novas condições. É para ela que retornamos quando dormimos!

Mas este estado de indiferença total ao ambiente quando nos isolamos dentro de nós mesmos e nos damos conta somente de nossas próprias necessidades (e talvez o celular seja o ícone atual do isolamento presencial em prol de uma comunicação virtual) parece transcender o comportamento egoísta para chegar a um autismo funcional, que se espraia em nosso meio social.

Mais uma vez, artefatos criados para viabilizar uma convivência mais intensa com nossos pares, parecem ser sugados em prol de resíduos narcísicos primários remanescentes.

(José de Matos)
Médico, Psicanalista e Psiquiatra