CHEGUE NA PAZ

27 de out. de 2016


❝Não sei agradar sempre. Por vezes calada e observadora, por vezes, falo demais. Penso que muita coisa deveria estar em outro lugar, ou bem distante. Não, não sou a boa samaritana. Digo isso, porque já explodi. Boca fechada é melhor do que acabar com o meu dia, e com o dia das pessoas, com um simples falar fora de hora.

Não permito invasões, posses, atitudes manipuladoras. Mantenho meus sentimentos dóceis, profundos, inocentes, bobos. Com aquele famoso sexto sentido. Mas tenho o lado arredio, o lado que grita, enfrenta, açoita. O lado que machuca. Tudo é questão de reorganizar o que penso. Onde não devo me exceder, onde devo ir acreditar. Onde acho que devo ser mais solta, mais atraente, menos ou mais inconsequente. E quem passa por mim, recebe o que me oferece. 

Não vou amar demais, mas não vou odiar ninguém por ter me abandonado na hora que mais precisei. Tenho um coração que não sabe pesar para o lado avesso, o lado ruim das coisas. Isso é meu. E se no meu canto fico, no meu canto permaneço. Se me machucam, me afasto, esqueço. Querem-me bem, abraço com todo amor do mundo. Tenho dois lados. 

Mas a personalidade continua sendo a mesma. No lado que me recebem eu me ajeito. O lado que me rejeitam simplesmente “apago” da memória. Digo: Dois pesos. Duas medidas.❞

(G. Russi)