CHEGUE NA PAZ

16 de abr. de 2016


"Há entre nós quem considere “a brandura” como ausência de firmeza no caráter, mas a realidade das coisas nos mostra que não é assim. Serenidade configura entendimento e visão. Água branda vence a pedra rija; por outro lado o cais parado e silencioso contém o oceano que se move terrível na maré alta. Em contraposição temos a violência e a precipitação que suscitam complicações e agravam problemas. A história dos impulsivos muitas vezes é narrada por seus próprios personagensnas penitenciárias que recolhem os náufragos que não desapareceram nos sinistros da delinqüência. O epílogo da biografia que se refere aos imprudentes é contado por eles mesmos, quase sempre nos manicômios, quando não sucumbem nos desastres orgânicos que atraem. Isso acontece porque a irritabilidade compra cólera a qualquer preço na sucata das tendências inferiores que muitos trazem de vidas anteriores, convertendo-a em projétil fulminativo. Dessa forma a impaciência adquire aversões onde aparece, incapaz de atender as sinalizações morais no trânsito da experiência, atropelando corações que se afastam desalentados. Brandura é a faculdade de recolher dificuldades, extraindo-lhes os ensinamentos e aceitando os calhaus que se lhe atiram para transformá-los em material valioso da construção íntima."

(A.D)