
Foi-se, finalmente, o VERÃO, não sem antes fazer
algumas grosserias e malcriações: trovejou, relampejou, choveu, inundou.
algumas grosserias e malcriações: trovejou, relampejou, choveu, inundou.
Não queria ir embora. Compreendo. Queria ficar para ver e namorar o Outono, que é muito mais bonito que ele. Verão, quarentão: recusava-se a aceitar os sinais da passagem do tempo. Não queria dizer adeus.
Gostaria de ficar. A vida é tão boa!
Mas o tempo é implacável. O sol lhe disse que a hora do seu adeus havia chegado. Foi se inclinando no céu, suas viagens cada vez mais curtas, as noites mais longas, o crepúsculo chegando mais cedo, as manhãs chegando mais tarde. O vento, antes, convidava a que se tirasse a camisa. Agora ele causa arrepios e chama os agasalhos das gavetas onde dormiam. O céu fica mais azul. Deve ter sido numa tarde de Outono que os Beatles compuseram aquela balada que canta “... because the sky is blue it makes me cry...”
No Verão, o excesso de luz ofusca as cores. No Outono, a luz fica mais mansa e as cores desabrocham como flores. O Verão é inquieto. Tudo nele convida a sair e a agir. O Outono é tranquilo, introspectivo, convida ao recolhimento e à meditação.
É um convite ao pensamento.
É um convite ao pensamento.
Rubem Alves
