CHEGUE NA PAZ

12 de nov. de 2015



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- MENINO DE RUA
- Edmundo Colen -

Semáforo vermelho.
Paro o carro.
Ele vem,
mão estendida,
voz pedinte,
ladainha de sempre.

Fecho o vidro.
Tenho medo
de faca,
estilete
e revólver.

Finjo não ver,
não ouvir,
enquanto meu corpo
escuta o menor
movimento.

O sinal demora.
Rezo, xingo, esbravejo.

Olho torto.
O menino insistente
pede uma moedinha
para um pão ou um leite.

Balanço a cabeça
em um não
complacente.

Sinal verde.
Graças!
Rápido arranco.
Fujo
do meu medo.

Pelo retrovisor,
o menino assentado
perigosamente no meio-fio,
espera outro não!

Belo Horizonte-MG

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- MENINO DE RUA... 
APENAS UM ABRAÇO
- Raquel Caminha -

Dirigindo meu carro, paro num sinal,
correm para minha janela, um, 
dois, três meninos de rua,
sem proteção do Governo do Estado.
Culpa dos pais?
Hoje meninos de rua, amanhã marginais.

Senti medo sim, não minto, de abrir a janela,
já vi tantos assaltos, presenciei conflitos
entre assaltantes e comerciantes,
que me previno sem poder ajudar a
esses meninos de rua, fico aflita.
Culpa dos pais?
Hoje meninos de rua, amanhã marginais.

Fui vítima desses meninos,
num sinal dessa cidade da luz,
reagi com firmeza, corri risco,
mas enfrentei essa cruz.
Aquele menino assaltante,
com um caco de vidro no meu braço,
senti medo, pena, gritei.
Quando olhei aqueles olhinhos,
li que eles queriam apenas um abraço.
Culpa dos pais?
Hoje meninos de rua, amanhã marginais.

Fortaleza, 22 de junho de 2005.