CHEGUE NA PAZ

16 de out. de 2015


Quando eu estiver velhinha, 
vou morar um pouco com cada filho,
e dar a eles tantas alegrias... 

Do jeito que eles me deram.
Quero retribuir tudo o que desfrutei 

deles fazendo as mesmas coisas.
Oh, eles vão adorar!
Escreverei nas paredes com lápis de 
cores
diversas, pularei nos sofás de sapatos e tudo. 
Beberei das garrafas e as deixarei vazias
e fora da geladeira, entupirei de papel os vasos sanitários; como eles ficarão bravos com isso!
(Quando eu estiver velhinha e for morar 
com meus filhos)...
Quando eles estiverem ao telefone 

e não puderem me alcançar,
vou aproveitar para brincar 

com o açúcar ou com a água sanitária.
Eles vão balançar suas cabeças e correr atrás
de mim. Mas, eu estarei escondida 

debaixo da cama.
Quando me chamarem para o jantar 

que eles prepararam, não vou comer 
as verduras, as saladas ou a carne,
vou engasgar com o quiabo e derramar

leite na mesa, e quando se zangarem, 
corro ― se for capaz!
Sentarei bem perto da TV e vou 

mudar de canal o tempo todo.
Tirarei as meias pela sala e perderei sempre

um pé; e vou brincar na lama até o final do dia.
E mais tarde, à noite, já deitada, vou agradecer

 a Deus por tudo, fechar meus olhinhos 
para dormir, e meus filhos vão olhar para mim
com um meio sorriso e vão dizer:
― Ela é tão doce quando está dormindo!

(A.D)