CHEGUE NA PAZ

12 de jul. de 2014


A cada dia que passa, enxergo além das minhas escolhas.
A vida é feita de laços que nos prendem a situações e circunstâncias das quais o tamanho e o volume nem fazemos ideia.
De fato, são tantas variáveis, tantas escolhas diferentes que proporcionalmente levarão a resultados totalmente diferentes, que é impossível prever o futuro. E por isso ele é um presente.
Quantas pessoas que eu julgava serem piores ou melhores, se mostraram no fim de tudo, simplesmente pessoas, com seus erros, ansiedades e sonhos além de terem todas elas, mais uma coisa em comum: estarem completamente perdidas.
Hoje vejo que ter uma base sólida com conceitos e filosofias sobre o nosso mundo, além de termos pessoas que nos amam e nos conhecem não é importante. É vital.
Somos tão perdidos, tão influenciáveis e tão vulneráveis que estamos suscetíveis a praticamente tudo. Para o bem ou para o mal e na mesma proporção.
O homem é um cego que navega à deriva nesse mar de ideias de todos os tipos e cores e que infelizmente não consegue enxergar nem diferir nenhuma delas.
Somos como cães que enxergam em preto e branco, bom e ruim, alegre e triste.
Não nascemos com a capacidade e a sensibilidade de compreendermos as nuances da vida, nem das pessoas.

Nos fechamos para as possibilidades infinitas e passamos a viver a vida sobre conceitos mutilados e desfigurados que a sociedade nos impõe de forma categórica e impiedosa:
A mulher não é confiável, o homem não é fiel, crianças são inocentes, favelado é perigoso, dinheiro resolve tudo, nossos pais são invencíveis, adolescente é irresponsável.
Todas essas “certezas” nos levam a rotular e guardar em nosso armário, muito bem catalogados e dispostos por importância e intensidade, ideias, sentimentos, emoções e pessoas das quais teremos a infelicidade de nunca realmente saber a verdade sobre.
Somos todos iguais, e ainda assim, muito diferentes.
Não somos todos macacos.
Somos todos irmãos vivendo em uma casa apertada.
Somos todos crianças levadas desobedecendo nossos pais.
Somos tudo e ainda assim não somos nada.
Somos uma mentira contada tantas vezes que a verdade parece não mais estar entre nós.
Como se fugisse diante de tanta selvageria.
Como se esperasse alguma coisa acontecer.
E no fim das contas, eu também espero.
Logo, tenho esperança.
Em mim, em Deus e em nós.


(Vini Ferrera)