CHEGUE NA PAZ

6 de nov. de 2013



Sei que na minha caminhada tem um destino e uma direção, 
por isso devo medir meus passos, prestar atenção 
no que faço e no que fazem os que por mim também 
passam ou pelos quais passo eu..


Que eu não me iluda com o ânimo e o vigor 
dos primeiros trechos, porque chegará o dia 
em que os pés não terão tanta força e se ferirão 
no caminho e se cansarão mais cedo...


Todavia, quando o cansaço houver, 
que eu não me desespere e acredite que ainda 
terei forças para continuar, principalmente 
quando houver quem me auxilie...


É oportuno que, em meus sorrisos, eu me lembre 
de que existem os que choram, que, assim, meu riso 
não ofenda a mágoa dos que sofrem: por outro lado, 
quando chegar a minha vez de chorar, 
que eu não me deixe dominar pela desesperança, 
mas que eu entenda o sentido do sofrimento, 
que me nivela, que me iguala, que torna 
todos os homens iguais...


Quando eu tiver tudo, farnel e coragem, água no cantil, 
e ânimo no coração, bota nos pés e chapéu na cabeça, 
e, assim, não temer o vento e o frio, a chuva e o tempo.


Que eu não me considere melhor do que aqueles 
que ficarão atrás, porque pode vir o dia em que 
nada terei mais para minha jornada e aqueles, 
que ultrapassei na caminhada, me alcançarão e também 
poderão fazer como eu fiz e nada de fato fazer por mim, 
que ficarei no caminho sem concluí-lo...


Quando o dia brilhar, que eu tenha vontade de ver 
a noite em que a caminhada será mais fácil e mais amena; 
quando for noite, porém e a escuridão tornar mais difícil 
a chegada, que eu saiba esperar o dia como aurora, 
o calor como bênção...


Que eu perceba que a caminhada sozinho pode ser 
mais rápida, mas muito mais vazia...


Quando eu tiver sede, que encontre a fonte no caminho, 
quando eu me perder, que ache a indicação, a seta, a direção...


Que eu não siga os que desviam, mas que ninguém 
se desvie seguindo os meus passos...


Que a pressa em chegar não me afaste da alegria 
de ver as flores simples que estão a beira da estrada,
 que eu não perturbe a caminhada de ninguém, que eu 
entenda que seguir faz bem, mas que, às vezes, é preciso 
ter-se a bravura de voltar atrás e recomeçar 
e tomar outra direção...


Que eu não caminhe sem rumo, que eu não me perca 
nas encruzilhadas, mas que eu não tema 
os que assaltam-me, os que embuçam, mas que eu vá onde 
devo ir e, se eu cair no meio do caminho, que fique 
a lembrança de minha queda para impedir que outros 
caiam no mesmo abismo...


Que eu chegue, sim, mas, ainda mais importante, 
que eu faça chegar quem me perguntar, quem 
me pedir conselho, e acima de tudo, me seguir...
confiando em mim !