MENINOS DE RUA
Meninos de rua...
sonham com grandes castelos
enquanto a seringa está na veia;
não conhecem a malícia...
acordam do sonho
com a sirene da polícia,
quando os castelos desmoronam
como areia
no mundo da lua...
Dormem ao relento
admirando as estrelas,
a calçada como travesseiro
abafa o cheiro
que queima em suas narinas,
que lhes proporcionam as propinas
que escondem dos cachaceiros
e, deles, se fazem prisioneiros...
Meninos que não cresceram,
já tão grandes
chefiam as gangues,
empunhando uma arma de fogo
e, por malogro,
com ódio no olhar
aprendem a matar
porque não descobriram como amar!
Vieram ao mundo por acidente...
da mãe, já nem sabem,
muitos nem chegam a vê-la
não aprendem a mamar,
vivem por teimosia
e, perduram na agonia...
São os delinquentes
Pulam as janelas
quando não têm saída,
culpam o destino
e, a tragédia é sua sentinela...
diabo de vida,
que escraviza pobres meninos;
Jamais serão crianças
pois nascem predestinados
e este mundo canalha
não lhes dá segurança
ao contrário, quando amotinados
lhes passa a navalha...
falta de sorte
procuram, só encontram a morte!
- Lara Cardoso -
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