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MENINO DE ROSTINHO TRISTE
- Zelisa Camargo -
Menino de rostinho triste,
lágrimas que descem serenas, pés descalços...
Olha o tempo como se perdido está,
pensa a vida, pensa a liberdade.
Onde está essa sonhada liberdade,
esse respeito pela tua raça, pelo teu povo,
pela tua cor que difere,
mas a alma é da mesma cor.
Neguinho de alma branca
que sofre todas as humilhações,
discriminações num País que se diz
não preconceituoso, mas o pior de todos.
Pois no calado ele sofre
e pensa no dia de amanhã.
Negro sou, apanho no lombo a dor
que carrego da minha raça
que não é respeitada.
E pela estrada vou caminhando
até que um dia, quem sabe
aprendemos a conviver sem dor
entre outras raças que nos discrimina.
Neguinho, criança sofrida
que não sabe do amanhã,
nesse Brasil tão estranho,
pois aqui não temos raça,
somos a união de todas.
Somos um povo de uma mistura
que ninguém tem igual.
Trazemos o sangue negro forte
gritante nas veias.
Trazemos todas as raças
Brasileiros somos.
Negros somos e seremos sempre
Mas onde está nossa Liberdade
de caminharmos com a cabeça
erguida e sermos respeitados.
Nesse teu dia Neguinho
só uma coisa lhe digo:
Não desista da luta não.
Vamos lutar pela nossa Liberdade.
Pelos nossos direitos,
Pela nossa dignidade,
Pela nossa cidadania.
Vamos Neguinho me dê tua mão
e vamos seguir a estrada
e esperar a Liberdade.

