CHEGUE NA PAZ

15 de out. de 2013


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MENINO DE ROSTINHO TRISTE
- Zelisa Camargo -

Menino de rostinho triste, 
lágrimas que descem serenas, pés descalços...

Olha o tempo como se perdido está, 
pensa a vida, pensa a liberdade. 

Onde está essa sonhada liberdade, 
esse respeito pela tua raça, pelo teu povo, 
pela tua cor que difere, 
mas a alma é da mesma cor. 

Neguinho de alma branca 
que sofre todas as humilhações, 
discriminações num País que se diz 
não preconceituoso, mas o pior de todos. 
Pois no calado ele sofre 
e pensa no dia de amanhã. 

Negro sou, apanho no lombo a dor 
que carrego da minha raça 
que não é respeitada. 
E pela estrada vou caminhando 
até que um dia, quem sabe 
aprendemos a conviver sem dor 
entre outras raças que nos discrimina. 

Neguinho, criança sofrida 
que não sabe do amanhã, 
nesse Brasil tão estranho, 
pois aqui não temos raça, 
somos a união de todas. 
Somos um povo de uma mistura 
que ninguém tem igual. 

Trazemos o sangue negro forte 
gritante nas veias. 
Trazemos todas as raças 
Brasileiros somos. 
Negros somos e seremos sempre 

Mas onde está nossa Liberdade 
de caminharmos com a cabeça 
erguida e sermos respeitados. 
Nesse teu dia Neguinho 
só uma coisa lhe digo: 
Não desista da luta não. 
Vamos lutar pela nossa Liberdade. 
Pelos nossos direitos, 
Pela nossa dignidade, 
Pela nossa cidadania. 

Vamos Neguinho me dê tua mão 
e vamos seguir a estrada 
e esperar a Liberdade.