CHEGUE NA PAZ

15 de out. de 2013


A VISÃO ESPÍRITA DAS PENAS ETERNAS

Allan Kardec foi um homem genial. Entre outras coisas, ele conseguiu se colocar acima e adiante do seu tempo. Homem de ciência, membro de várias sociedades científicas, não se prendeu ao academicismo de sua época. Quando ele se debruçou na observação e no estudos dos ensinos dados pelos espíritos, o fez sem amarras e guiado pelo bom senso. Ousou questionar a espiritualidade sobre alguns pontos acerca de Deus, do Universo e do próprio Homem. Ouviu e observou, comparou e experimentou, aceitando todos os ensinamentos que passavam pelo crivo da lógica e da razão.

O mesmo não tem acontecido conosco, pois permanecemos atados a velhos conceitos dos quais não conseguimos nos libertar, para realmente podermos aprender em profundidade tudo o que o Espiritismo tem para nos ensinar. Um assunto que é ainda mal compreendido é a Lei de Ação e Reação, pois ainda a vemos como se estivéssemos vendo a Pena de Talião do Velho Testamento, ou seja, "o olho por olho e dente por dente".

Por não se libertarem dos velhos paradigmas, muitas pessoas acreditam que se certo indivíduo ficou cego ou surdo nesta existência, foi porque furou os olhos de alguém ou perfurou os ouvidos de outro em existências passadas. E o que é pior: acreditam que os homicidas e os suicidas, por exemplo, só resgatarão seus débitos se forem assassinados ou desencarnarem de forma violenta. Não percebem que há variantes e existem várias maneiras para se "pagar uma dívida" Essas maneiras variam de indivíduo a indivíduo, já que cada um de nós está em pontos diferentes na escalada da evolução. A Pena de Talião teve seu tempo, todavia, já não atende ao bom senso e a lógica que o nosso tempo exige.


ETERNA EVOLUÇÃO

Os espíritas têm como referencial a codificação de Allan Kardec, e no livro O Céu e o Inferno, nós encontramos a seguinte explicação: "A expiação varia segundo a natureza e a gravidade da falta. A mesma falta pode assim provocar expiações diferentes, segundo as circunstâncias atenuantes ou agravantes nas quais ela foi cometida".

Com isso percebemos que intenção e situação estabelecem os atenuantes ou agravantes e, estes, determinam o tipo e a duração das penas, que não são iguais nem na forma, nem na duração para ninguém. Tempos que aprender a sermos flexíveis e deixarmos de generalizar tudo, pois cada caso é um caso, não há cópias nem moldes prontos. Também podemos ler em O Livro dos Espíritos: "A lei que rege a duração das penas é, portanto, eminentemente sábia e benevolente, pois subordina essa duração aos esforços do Espírito".

Mesmo os ensinamentos dos Espíritos sendo tão claros com relação às leis universais e a duração das penas, ainda existe quem acredite que independente do tempo que se tenha durado a pena, ela só será realmente paga quando o infrator a reparar com um tipo de sofrimento ou dor, igual ao cometido por ele, ou seja, se ele envenenou terá que ser envenenado; se tiver mandado alguém para fogueira, terá que arder, mesmo que seja através de uma doença, como aquela conhecida por "fogo selvagem", e se decapitou alguém terá que perder a cabeça nem que seja em um acidente. Será que só nos libertaremos dos equívocos do passado dessa maneira? Será a Justiça divina menos justa que a nossa? Não, não é isso que ensina a Doutrina Espírita. Vejamos o que diz a questão 1004. Allan Kardec pergunta aos amigos espirituais o que determina a duração dos sofrimentos do culpado. Respondem eles: "O tempo necessário ao seu melhoramento. O estado de sofrimento e de felicidade sendo proporcional ao grau de pureza do Espírito, a duração e a natureza dos seus sofrimentos dependem do tempo que ele precisa para se melhorar. À medida que ele progride e que seus sentimentos se depuram, seus sofrimentos diminuem e se modificam". Como vemos, o que determina a duração e a liquidação da pena não é o tipo da expiação, mas sim, o melhoramento da criatura, é a superação de suas imperfeições e a sua volta aos caminhos do bem.

Precisamos seguir a atitude de Allan Kardec e nos colocarmos acima e adiante de paradigmas e preconceitos, sejam eles religiosos ou não, pois sem isso ficaremos impossibilitados de compreender muitos pontos da Doutrina Espírita, pontos que nos exigem uma visão mais ampla e um raciocínio mais profundo.

Ainda enxergamos pouco, porque não tivemos a coragem de tirar o véu que esta sobre nossos olhos, ou seja, os paradigmas, e se nosso raciocínio é superficial é porque não temos o hábito de pensar e refleti com profundidade. Não esqueçamos as palavras do mestre de Lyon: "O espírita sério, não se limita a crer, porque compreende, e compreende porque raciocina".

REVISTA CRISTÃ DE ESPIRITISMO - POR: José Antonio Ferreira da Silva