CHEGUE NA PAZ

4 de mai. de 2013


Menino que vai sozinho,
perambulando, "sem chão",
sem direção e sem "nome",
mas sentindo muita fome
de amor, de carinho e pão...
À luz da vida lhe deram,
como fosse coisa vã,
pra depois lhe abandonarem
como "coisa", descartarem,
dando - lhe vida malsã...
Seu teto é o céu azul,
sua luz são as estrelas
sua cama é a calçada
sem travesseiro, orvalhada,
de cobertor, nem esteiras...
Desse destino que tem,
procura sempre a razão,
não lhe responde, ninguém...
lhe dói muito o coração,
pois sente emoção, também...
Como qualquer ser humano,
pra dor procura um refúgio...
pelas drogas dominado,
se torna discriminado,
de todos sente o repúdio...
Quem salvará as crianças,
por todos, abandonadas,
lhes transmitindo esperanças
de ter suas vidas mudadas
das borrascas pra bonança? 
Nenhuma mão estendida,
nenhuma compreensão...
chora sempre às escondidas
e ninguém ouve seu pranto
por querer mudar de vida
e ver a morte vir de encontro...
É o descaso do povo,
de um governo irracional
que vê como natural
que um menino de rua
viva de forma tão crua...
viva como um animal!

- Venina M. Santos -