
Retalhos de vida, marcando um tempo.
Constelações que vislumbro
no dorso do cavalo alado da esperança,
percorrendo caminhos, idealizando um amor,
escutando, na alma, um acalanto de espera,
antecipando o futuro, com sabor de presente
que degusto, mansamente,
na ante-sala do gôzo das realizações plenas.
Meus sonhos não morrem. São fragmentos de alma.
São a brisa do mar refrescando o meu espírito,
a correnteza caudalosa que me impulsiona para a vida,
a relva macia em que repousa o meu cansaço.
Meus caminhos de ir, às vezes de chegar.
Meus sonhos não morrem. São sementes de vida.
Há os sonhos que germinam, florescem
e produzem os frutos que alimentam a minha história.
Abençoados sejam os sonhos que frutificam!
São os que irradiam para o universo
o sorriso e a alegria do colorido da vida.
Meus sonhos não morrem. São regaços que abrigam.
Há os sonhos que, apesar da fé e da persistência,
não conseguem eclodir para o real.
Nasceram para preencher lacunas de solidão,
adoçar com mel o amargor dos combates perdidos,
repousar o cansaço da alma inquieta.
Abençoados sejam os sonhos que não eclodem!
São anjos de candura que nos embalam
quando a aridez da vida
apresenta o seu cartão de visita.
Meus sonhos não morrem. Integram-se no universo.
Os sonhos não vividos,
liberto-os, para que abençoem outras vidas.
Um último afago, um pensar de saudades,
um brilho de lágrima, um aceno de adeus...
Voam para o infinito, nos braços da esperança
até se confundirem, suavemente,
com as últimas luzes de um pôr-de-sol.
Lêda Mello