15 de jun. de 2022



Às vezes, estamos num relacionamento onde damos muito de nós, durante muitos anos… e nos sentimos cansada... cansada de descaso, cansada de se magoar. Cansada de ter um nó apertado na garganta. Sente-se triste! 

E de repente, se dá conta de quanto desvalorizou-se para ter que se adequar a um lugar que nunca foi seu, a um relacionamento onde dava muito e recebia bem pouco.

Você olhou para seu corpo, seu rosto e seus olhos. Você enxergou uma mulher doce, especial e sofrida. Você viu tanta beleza e bondade nos teus olhos. 

E no meio de tanta tristeza percebeu que chegou a hora de ser bondosa com você. E de repente tudo desmoronou, todos os sacrifícios em vão, toda decepção e desapontamento. 

O mundo rodopiava na sua cabeça e aquelas cenas vinham, e vinham na memória. Uma após outra... todas as suas decepções, toda sua falta de amor-próprio disfarçada de relacionamento. 

E uma cachoeira saiu de seus olhos, por você e todas as mulheres que um dia sofreram por amor. As ilusões se desfizeram e você se fez forte e lúcida, pegou sua dignidade foi embora, sem olhar para trás. Para nunca mais voltar! 

Toda mulher um dia chega ao seu limite. Isso acontece quando ela cansa de falar, de brigar, de conformar-se com migalhas. Ela não quer consertar mais nada além dela mesma. 

Não há mais nenhum pedido de mudança, nem de consideração. Ela aprendeu que só pode mudar a si. E enfim percebeu que, quem deve ter consideração por ela é ela própria. 

Estava triste, mas lúcida e forte. Das lágrimas brotaram flores tão belas que ao olhar para si percebeu que floresceu.

(Ane Barros)