A menina que mora em mim por vezes visita-me para dar uma olhada na minha realidade.
Algumas vezes sorri de boca inteira como se olhasse num espelho. Outras, encara-me com estranheza e arrepio.
É quando estou longe do caminho das flores.
A menina que mora em mim acorda-me à noite.
E de manhã continua no berço como se nada tivesse acontecido.
É ela que guarda o meu tesouro no seu colo de criança: esperança e fé.
E é por isso que quando me perco dela, ela corre de novo pelo caminho, catando as flores dos quintais e as derrama todas em cima de mim.
Esse é o seu jeito de dizer:
"Acorda, mulher! Volta para o teu jardim!"
(Miryan Rezende)