12 de fev. de 2022



Às vezes, dá vontade de sentar à beira do caminho e por ali ficar, até que os ventos mudem, até que as nuvens chorem, até que a dor passe.

Sei que, às vezes, dá vontade de abandonar o barco, engavetar os projetos, esquecer os sonhos, porque o tempo é difícil demais.

Porque, muitas vezes, a vida atravanca, se perde num labirinto, pesa, machuca os ombros.

Mas sei também que, muitas vezes, é preciso retroceder pra respirar, olhar de longe o que de perto não se vê, ganhar fôlego pra caminhar mais um tanto.

O tempo não para, mas é preciso vagarosas pausas pra aliviar a alma e descansar o coração.

(Eunice Ramos)