Sou metade saudade, metade alegria boba.
Sou feita dos instantes que fizeram minha alma dançar e dos mares que inundaram meu olhar.
Eu venho de chegadas e partidas, de sol adentrando a janela e varandas silenciosas.
Dos verões intermináveis e dos invernos sem fim.
Sou amor além da conta, pote de esperança e punhado de lembranças.
Carrego no meu bolso, bem rente ao meu coração, a menina que inventava jardins e se divertia com a chuva.
Guardo as plantações, os recantos o cheiro da terra molhada, do café fresco e do abraço de mãe.
Sou metade remanso, metado inquietação.
Metade calmaria, metade turbilhão de emoções.
Sou o cais num fim de tarde, o balanço das marés.
Metade saudade, metade alegria boba.
Eu não caibo em mim...
-Eunice Ramos