Já fui maré cheia, a nostalgia do cais, a lua clareando o mar.
E eu era porto onde o navio atracava, onde a saudade apertava, onde embarcou quem foi e prometeu voltar.
Já fui tardes de domingo e a euforia dos carnavais, a alegria dos reencontros e os olhos alagados.
E eu era o canto e o desencanto, os dias ensolarados e os caminhos molhados.
Já me vesti de tantos jeitos, inventei mil personagens, me desconstruí e me refiz inteira, mas o amor (esse que carrego estrada afora), permanece intacto, iluminando as mil faces que construo e as estações que me transformam...
E será sempre assim.
(Eunice Ramos)