20 de ago. de 2020


Venho de outras eras em que humanos eram humanos.

Em que animais e flores também eram divinos.

Venho de um tempo em que as pessoas se compreendiam com o olhar.

De um tempo em que não era proibido sonhar...

Tocar a alma era permitido, e o amor ainda existia.

Um tempo em que tínhamos tempo para admirar um pôr do sol, deitar-se na grama, mergulhar no rio, sorrir sem motivo e amar sem razão.

Um tempo em que vida era vida de verdade.

Sou alma tão antiga, que nos dias de hoje anda perdida.

E que procura na noite, na lua, nas estrelas, na poesia, uma esperança de que o passado de alguma forma ainda sobrevive, mesmo que nas sombras...