17 de jan. de 2020
"Mãe, posso dormir na casa da vó hoje?" Escutei dentro do ônibus hoje de manhã, e quando consegui me virar pra ver a criança que me fez voltar ao passado apenas com uma frase ela já não estava mais ao meu alcance... viajei longe... quando foi que o tempo passou e nos fez adultos cheio de prioridades chatas?
Lutamos todos os dias por alguma coisa que não sabemos se é o que realmente queremos, quando na verdade 'casa de vó' é o que todo mundo precisaria para ser feliz.
'Casa de vó' é onde os ponteiros do relógio tiram férias junto com a gente e passam os minutos sem pressa de chegada.
'Casa de vó' é onde uma simples macarronada e um pão caseiro ganham sabores diferentes, deliciosos.
'Casa de vó' é onde uma inocente tarde pode durar uma eternidade de brincadeiras e fantasias.
'Casa de vó' é onde os armários escondem roupas antigas e ferramentas misteriosas.
'Casa de vó' é onde as caixas fechadas se tornam baús de tesouros secretos, prontos para serem desvendados.
'Casa de vó' é onde os brinquedos raramente surgem prontos, são inventados na hora.
'Casa de vó', tudo é misteriosamente possível de acontecer mágico e sem preocupações.
'Casa de vó' é onde a gente encontra os restos da infância dos nossos pais e o início de nossas vidas.
'Casa de vó' só mesmo lá dentro, no endereço do nosso afeto mais profundo, tudo é permitido.
Esse luxo não me pertence mais - infelizmente - viverá comigo apenas em recordações, mesmo assim, se eu pudesse fazer um pedido agora, qualquer pedido de todos os pedidos do mundo, eu iria pedir a mesma coisa: "posso dormir na casa da vó hoje?"
(Saulo Subirá - 2015
Eduardo e Crônicas)
