Vivemos na precariedade, onde o pouco é nada e o muito não é suficiente, estamos à beira do abismo quando buscamos reciprocidade. Esquecemos quem merece atenção e corremos atrás dos que mal nos notam.
Somos carentes de afeto e de carinho, de atenção, de alguém que escute para além dos ouvidos, alguém que ouça os sussurros do nosso coração através da nossa expressão facial.
Quantas e quantas vezes estivemos à deriva em busca de abrigo? De um silêncio em comum, de um sorriso que nos fizesse perceber que a vida vale a pena apesar de tanta dor acumulada?
Será que estamos chegando à margem, no fim da estrada? Existe algum lugar onde realmente poderemos fazer morada e não sermos mais sós, mas felizes e realizados?
Qual será o lado, espero com gritos, ou calado? Quando encontrarei o amor que me fará sentir liberto? Curado? Inteiramente amado apesar das minhas fragilidades? Existe um ponto de encontro mesmo ou estou desamparado? Algum dia entenderão a profundidade além do que transmito? Ou ficará tudo comigo e me afogarei na solidão que é a dúvida?
Ainda não sei, nem tão logo desisto!
(Vitor Ávila)
