20 de out. de 2019


Vivemos numa era de pessoas rasas, que olham mas não enxergam, que falam tudo que lhes vai à mente mas não usam sequer uma dose de empatia, que julgam e não amam, que priorizam a saciação do corpo mas não a da alma, que são ricos em ambição e pobres no espírito, que pensam estarem completos, mas estão vazios. 

Vivemos na precariedade, onde o pouco é nada e o muito não é suficiente, estamos à beira do abismo quando buscamos reciprocidade. Esquecemos quem merece atenção e corremos atrás dos que mal nos notam. 

Somos carentes de afeto e de carinho, de atenção, de alguém que escute para além dos ouvidos, alguém que ouça os sussurros do nosso coração através da nossa expressão facial. 

Quantas e quantas vezes estivemos à deriva em busca de abrigo? De um silêncio em comum, de um sorriso que nos fizesse perceber que a vida vale a pena apesar de tanta dor acumulada? 

Será que estamos chegando à margem, no fim da estrada? Existe algum lugar onde realmente poderemos fazer morada e não sermos mais sós, mas felizes e realizados? 

Qual será o lado, espero com gritos, ou calado? Quando encontrarei o amor que me fará sentir liberto? Curado? Inteiramente amado apesar das minhas fragilidades? Existe um ponto de encontro mesmo ou estou desamparado? Algum dia entenderão a profundidade além do que transmito? Ou ficará tudo comigo e me afogarei na solidão que é a dúvida? 

Ainda não sei, nem tão logo desisto!

(Vitor Ávila)