10 de out. de 2019
Quando você começa uma peregrinação interior, as energias viram-se para o seu interior, as mesmas energias que se deslocavam para o exterior, e subitamente você vê-se só, como se estivesse numa ilha. A dificuldade surge porque você não está realmente empenhado em ser você mesmo, e todas as relações surgem como uma dependência, uma prisão. Mas esta fase é passageira; não a torne uma atitude permanente. Mais cedo ou mais tarde, quando estiver instalado dentro de si novamente, estará transbordante de energia e quererá encontrar de novo uma relação.
Assim, na primeira vez em que a mente se torna meditativa, o amor parece surgir como uma prisão. E de certo modo isso é verdade, porque uma mente que não é meditativa não pode amar realmente. Esse amor é falso, ilusório - mais uma paixão, menos próximo do amor. Mas você não tem nada com que o comparar, a menos que o verdadeiro ocorra; assim, quando começa a meditação, o amor ilusório começa, pouco a pouco, a dissipar-se e desaparece. Primeiro, não se sinta desanimado. E segundo, não faça disso uma atitude permanente; estas são as duas possibilidades.
Se você desanima porque a sua vida amorosa está a desaparecer e, portanto, agarra-se a ela com todas as suas forças, isso tornar-se-á uma barreira à sua viagem interior. Aceite-o - agora a energia busca um novo caminho e durante uns dias não estará disponível para movimentos externos, para atividades.
Se alguém é um criador e medita, toda a criatividade desaparecerá durante algum tempo. Se você é um pintor, não se encontrará na pintura. Poderá continuar mas, pouco a pouco, deixará de ter energia e entusiasmo. Se você é um poeta, a poesia será interrompida. Se você é um homem que esteve apaixonado, essa energia desaparecerá.
Se você se forçar a entrar numa relação para poder recuperar o seu velho eu, essa obrigação será muito, muito perigosa. Estará a fazer algo contraditório: por um lado estará a tentar entrar, por outro lado estará a tentar sair. É como se você estivesse a guiar um carro carregando no acelerador e ao mesmo tempo carregando no travão. Poderá ser desastroso, porque está a fazer as duas coisas simultaneamente.
A meditação é simplesmente contra o falso amor. O falso desaparecerá, e essa é a condição básica para o verdadeiro surgir. O falso deverá desaparecer, o falso deverá deixá-lo completamente; só então você estará pronto para o verdadeiro. Por isso, durante alguns dias esqueça todas as suas relações.
O segundo aspeto, que é também muito perigoso, é que você pode transformá-lo num modo de vida. Aconteceu a muita gente. Eles estão em mosteiros - velhos monges, gente da religião ortodoxa que fez de uma vida sem relações amorosas um modo de vida. Eles acreditam que o amor é contrário à meditação - o que não é verdade. A meditação é contra o falso amor, mas está totalmente do lado do verdadeiro amor.
(Osho)
