24 de out. de 2019


E a vida continua...

A dor da separação só existe pelo sentimento de perda de algo que não nos pertence. A divina providência não tira as pessoas do nosso caminho, ao invés disto coloca as pessoas em nossa jornada por um tempo. O objetivo é ampliar o amor que sentimos.

A falta de lembranças de uma outra vida não é punição, possui outro nome: Perdão, é o perdão que nos faz esquecer dos nossos erros e com isto nosso apego. Mas o perdão não apaga tudo, pois o que aprendemos de coração e com amor se mantém de uma vida para outra.

Tudo que amamos é preservado em nossas lembranças ainda que em essência. Aqueles que nos foram próximos em outras vidas, ainda estão próximos, mas como amigos, colegas. A maioria dos seus amigos e amigas de coração em outra vida eram chamados de irmãos.

Um número muito grande de pessoas que passam por nossas vidas que mexem com nosso coração em verdade ativam os sentimentos que tínhamos por esta pessoa em outras vidas.

Há muito tempo estava manobrando um carro, quando olhei no retrovisor vi um rapaz com um semblante de susto. Parei o carro e evitei uma colisão. Dei uma buzinada e cada um seguiu seu caminho.

No dia seguinte eu estava no ônibus indo trabalhar, de repente o ônibus para no ponto e quem entra? Aquele rapaz. Aproveitei para agradecer pois a expressão de pânico dele tinha me salvado de um acidente.

Ele sentou ao meu lado e então fomos conversando. Os dias e meses se passaram e era frequente as vezes que íamos conversando, a espiritualidade era um dos temas principais.

Quando ia de carro ao trabalho dava carona e voltávamos conversando. Certa vez meditando sobre tudo isto, como aconteceu, as conversas, fazendo uma síntese de tudo, mergulhei em uma lembrança.

Era uma aldeia na Europa Medieval com casas de tronco de madeira e teto de palha, devia ser no século XIV. Eu estava deitado no chão fora da casa, tinha em torno de 30 anos, estava mal e meu irmão mais novo com uns 16 anos me amparava. Chorava muito e me pedia para não morrer.

Eu sentia que não podia cumprir com o pedido, então olhei nos olhos do meu irmão e disse do fundo da minha alma que não acreditava que a morte era o fim e que íamos um dia nós reencontrar.

Ele me fez jurar que se um dia eu o reencontrasse lembraria ele desta história. Fiz a promessa e me despedi daquela vida olhando para o rosto do meu irmão e na medida que saia da meditação o rosto dele se transfigurava no rosto do meu amigo.

Numa próxima vez que nos encontramos, contei ao meu amigo a experiência exatamente como aconteceu, ele continuou cético não acreditando em vida depois da morte, mas confessou que esta história mexeu com seu emocional, não podia compreender mas podia sentir.

A amizade não acabou, perdura até hoje ainda que estejamos distantes.

Como dito a providência divina coloca as pessoas em nosso caminho e as promessas que fazemos vão além da vida atual. Olhe bem as pessoas que te cercam, pode não ser a primeira vez.

Mauricio Gitirana