Deveria estar muito claro para todos que este processo já foi iniciado há tempos. Não é de agora e não seria, tampouco, algo a ser determinado nas últimas eleições no Brasil. Apenas se deixou levar por este ato terrorista (sim, em vista do pânico gerado a fim de eleger um determinado candidato) aqueles mal informados que lotam congressos caríssimos em busca de soluções imediatas para suas dores e angústias, em detrimento de dores e angústias realmente urgentes.
É evidente que não estamos desamparados. De tempos em tempos recebemos entre nós espíritos que encarnam com missões muito específicas - nem sempre bem-sucedidas. Entretanto, precisamos aplaudir a coragem de quem já não precisa reencarnar na Terra, mas aceita a tarefa, a fim de esclarecer e conduzir o homem ao bem e ao progresso.
As questões ambientais, menores para boa parcela da população, são cada vez mais validadas. E, claro, em contrapartida, alvo de críticas absurdas de quem tenta desmerecer os resultados de pesquisas e estudos científicos.
O cenário atual de fanatismo e caos revela uma força contrária àqueles que se levantam, de forma destemida, em nome de mais igualdade, solidariedade e de uma terra mais salubre. Isto revela, no meu entendimento, uma grave obsessão coletiva a que demos espaço pela nossa invigilância, visto que a contaminação da terra, do ar e dos oceanos, seja por lixo ou por agrotóxicos, não pode ser objetivo de quem deseje o bem comum, mas tão somente o poder econômico e financeiro. Isso jamais deveria ser encarado como algo coerente com a crença reencarnacionista de Kardec.
Dentro deste grande caldeirão fervente, surge uma jovem, como de vez em quando acontece, cheia de energia, disposição, vontade e amor pelo planeta que veio “salvar”. Sua força emana em cada gesto, em cada expressão forte do seu rosto, em sua linguagem corporal de quem não tem medo de cara feia ou de alma feia. Foi exposta, ridicularizada, ameaçada e apedrejada pelas redes sociais por adultos, que de maneira covarde, usaram da expressão mais vulgar para referirem-se a ela, assim como costumam fazer com toda aquela que não se constrange ou encolhe (recordemos dos adesivos nos carros para humilhar a presidenta Dilma). A esperança desses homens é causar medo, atingindo com seu tom agressivo e ameaçador, àquelas que se opõe ao seu berro preconceituoso e ignorante. Esta criança é claramente uma missionária, em vista de todos os obstáculos materias impostos (TOC, TDAH e Autismo) que não a impedem de se comportar de maneira equilibrada e com um discurso forte, embasado, educado e muito objetivo.
Pergunto, então, se o que ela diz não faz todo o sentido para a nossa doutrina? Por que não vejo enfileirados os “cidadãos de bem” para defendê-la desta campanha difamatória e desrespeitosa?
Aonde estão os paladinos espíritas da moral e os grandes oradores para proteger esta moça tão corajosa, tão importante para todos nós neste momento de destruição da nossa casa comum?
Se estamos mesmo atravessando um período definitivo de mudança vibracional, aonde estão os idosos que se sentam nos bancos dos centros e aguardam por um espírito líder, que há de nos tirar da atual situação de violência e penúria?
Nós, os espíritas progressistas, estamos de mãos dadas com a menina Greta Thunberg. E eu peço a todos que se deixem inspirar pela sua garra. Façam o mínimo pela nossa casa, mas façam alguma coisa. Reciclem, reduzam a compra de materiais recicláveis e descartáveis, não joguem lixo nas ruas, deixem as árvores em paz, plantem mais outras tantas quanto puderem, apoiem práticas sustentáveis. Façamos a nossa parte. Se cada um se ocupar do que lhe diz respeito, já é muito.
Acreditem, tem gente grande lutando por nós. Só precisamos aprender a reconhecer quem é quem.
por Kelly Saturno - Grupo Espiritismo Kardec
Arte: CrisVector
