E então ele parou. Apoiou a mala no chão. Abriu e escolheu o que mais não lhe servia. Estava lhe pesando na longa caminhada. Foi deixando rastros de si ao longo do deserto. Foi deixando o que lhe serviu mas já não cabia. Deixou para outros viajantes pegar, usar. Doar é saber tirar da mala o que já não cabe. Se torna peso e possesso.
Aliviado, retomou a caminhada, mais leve. Com ainda trajes e máscaras. Mas o calçado menos apertado. As feridas eram calos. Logo, seus pés se tornariam novos calçados. Logo, a sua pele sadia estaria pronta para andar nua. Andar sem os trajes do passado. Sem as máscaras do presente. Cegueira. Ele estava naquele momento mágico de presente-futuro, quando não se distingue mais o Eu do espírito vital. Estava se tornando energia. Potência.
@andarilhodesconhecido
