24 de jan. de 2017


Ser sensível nesse mundo requer muita 
coragem. Todo dia. Esse jeito de ouvir além
 dos olhos, de ver além dos ouvidos, de sentir
 a textura do sentimento alheio tão clara no 
próprio coração e tantas vezes até doer ou 
sorrir junto com toda sinceridade. Essa 
intensidade toda em tempo de ternura minguada.
 Esse amor tão vívido em terra em que a maioria parece se assustar mais com o afeto do que com
 a indelicadeza. Esse cuidado espontâneo com os outros. Essa vontade tão pura de que ninguém 
sofra por nada. Essa saudade, que às vezes faz 
a alma marejar, de um lugar que não se sabe 
onde é, mas que existe, é claro que existe. 
Essa vontade de espalhar buquês de sorrisos
 por aí, porque os sensíveis, por mais que chorem
 de vez em quando, não deixam adormecer a 
ideia de um mundo que possa acordar sorrindo.
 Pra toda gente. Pra todo ser. Pra toda vida. Eu 
até já tentei ser diferente, por medo de doer, 
mas não tem jeito: só consigo ser igual à mim.

______________
Ana Jácomo