Quando eu estiver velhinha,
vou morar um pouco com cada filho,
e dar a eles tantas alegrias...
Do jeito que eles me deram.
Quero retribuir tudo o que desfrutei
deles fazendo as mesmas coisas.
Oh, eles vão adorar!
Escreverei nas paredes com lápis de cores
diversas, pularei nos sofás de sapatos e tudo.
Beberei das garrafas e as deixarei vazias
e fora da geladeira, entupirei de papel os vasos sanitários; como eles ficarão bravos com isso!
(Quando eu estiver velhinha e for morar
com meus filhos)...
Quando eles estiverem ao telefone
e não puderem me alcançar,
vou aproveitar para brincar
com o açúcar ou com a água sanitária.
Eles vão balançar suas cabeças e correr atrás
de mim. Mas, eu estarei escondida
debaixo da cama.
Quando me chamarem para o jantar
que eles prepararam, não vou comer
as verduras, as saladas ou a carne,
vou engasgar com o quiabo e derramar
leite na mesa, e quando se zangarem,
corro ― se for capaz!
Sentarei bem perto da TV e vou
mudar de canal o tempo todo.
Tirarei as meias pela sala e perderei sempre
um pé; e vou brincar na lama até o final do dia.
E mais tarde, à noite, já deitada, vou agradecer
a Deus por tudo, fechar meus olhinhos
para dormir, e meus filhos vão olhar para mim
com um meio sorriso e vão dizer:
― Ela é tão doce quando está dormindo!
(A.D)