7 de dez. de 2014


"Que o outro saiba quando estou com medo, 
e me tome nos braços sem fazer perguntas demais. 
Que o outro note quando preciso de silêncio
 e não vá embora batendo a porta, mas entenda 
que não o amarei menos porque estou quieta. 
Que o outro aceite que me preocupo com ele e não se irrite 
com minha solicitude, e se ela for excessiva saiba me dizer 
isso com delicadeza ou bom humor. 
Que o outro perceba minha fragilidade e não ria 
de mim, nem se aproveite disso.
Que se eu faço uma bobagem o outro goste um pouco
 mais de mim, porque também preciso poder 
fazer tolices tantas vezes. 
Que se estou apenas cansada o outro não pense logo 
que estou nervosa, ou doente, ou agressiva, nem diga 
que reclamo demais.
Que o outro sinta quanto me dói a ideia da perda, 
e ouse ficar comigo um pouco - em lugar 
de voltar logo à sua vida. 
Que se estou numa fase ruim o outro seja meu cúmplice, 
mas sem fazer alarde nem dizendo ''Olha que estou 
tendo muita paciência com você!''
Que quando sem querer eu digo uma coisa bem 
inadequada diante de mais pessoas, o outro
 não me exponha nem me ridicularize. 
Que se eventualmente perco a paciência, perco 
a graça e perco a compostura, o outro ainda assim
 me ache linda e me admire. 
Que o outro não me considere sempre disponível, 
sempre necessariamente compreensiva, mas me aceite
 quando não estou podendo ser nada disso. 
Que, finalmente, o outro entenda que mesmo se às vezes 
me esforço, não sou, nem devo ser, a mulher-maravilha,
mas apenas uma pessoa: vulnerável e forte, incapaz e gloriosa, 
assustada e audaciosa uma mulher."

(Lya Luft)