MENINO DE RUA, SEM FUTURO
Saí de
casa, por não suportar tantas carências,
por não entender as causas das agressões,
e não suportar tantas amarguras e ausências,
e ficar perdido no meio de tantas desilusões
mas dizem que do país eu represento o porvir,
perdido, desamparado, eu não sei pra onde ir.
por não entender as causas das agressões,
e não suportar tantas amarguras e ausências,
e ficar perdido no meio de tantas desilusões
mas dizem que do país eu represento o porvir,
perdido, desamparado, eu não sei pra onde ir.
Fiz do
banco de praça a minha cama,
debaixo de pontes, da insegurança me protejo,
das chuvas, dos ventos, do frio,da lama
vendendo drogas, cheirando cola, me vejo.
Mas dizem que do país eu represento o porvir,
perdido, desamparado, eu não sei pra onde ir.
debaixo de pontes, da insegurança me protejo,
das chuvas, dos ventos, do frio,da lama
vendendo drogas, cheirando cola, me vejo.
Mas dizem que do país eu represento o porvir,
perdido, desamparado, eu não sei pra onde ir.
As
escolas usam policiais como proteção,
é esse o seu maior marketing para os pais.
Sujo, maltrapilho, sou sinônimo de agressão
deixei de ser criança, sou ameaça pros casais.
mas dizem que do país eu represento o porvir.
perdido, desamparado, eu não sei pra onde ir.
é esse o seu maior marketing para os pais.
Sujo, maltrapilho, sou sinônimo de agressão
deixei de ser criança, sou ameaça pros casais.
mas dizem que do país eu represento o porvir.
perdido, desamparado, eu não sei pra onde ir.
Deitado,
num banco de praça admiro o céu,
vejo as estrelas, a lua e sinto tristeza,
não faço parte da sociedade, vivo ao léu,
para muitos sou uma aberração da natureza.
mas dizem que do país eu represento o porvir,
perdido, desamparado, eu não sei pra onde ir.
vejo as estrelas, a lua e sinto tristeza,
não faço parte da sociedade, vivo ao léu,
para muitos sou uma aberração da natureza.
mas dizem que do país eu represento o porvir,
perdido, desamparado, eu não sei pra onde ir.
Nos
sinais de trânsito eu limpo vidros de carro,
percebo, que muitos procuram se proteger de mim,
pago um preço muito alto pra viver no desamparo,
mas continuo aguardando uma chance, mesmo assim.
mas dizem que do país eu represento o porvir,
perdido, desamparado, eu não sei pra onde ir.
percebo, que muitos procuram se proteger de mim,
pago um preço muito alto pra viver no desamparo,
mas continuo aguardando uma chance, mesmo assim.
mas dizem que do país eu represento o porvir,
perdido, desamparado, eu não sei pra onde ir.
Vendo
drogas, fumo um baseado, cheiro cola,
alimento nas esquinas o vício do abastado,
os traficantes me protegem, essa é minha escola,
vivo sem instrução, sem calor humano, abandonado.
mas dizem que do país eu represento o porvir,
perdido, desamparado, eu não sei pra onde ir.
alimento nas esquinas o vício do abastado,
os traficantes me protegem, essa é minha escola,
vivo sem instrução, sem calor humano, abandonado.
mas dizem que do país eu represento o porvir,
perdido, desamparado, eu não sei pra onde ir.
Eu não
entendo os suspiros dos casais de namorados,
quando contemplam a lua e as estrelas tão distantes,
presencio sussurros, suspiros,abraços prolongados,
sofro, me sinto só, são momentos estafantes.
mas dizem que do país eu represento o porvir,
perdido, desamparado, eu não sei pra onde ir.
quando contemplam a lua e as estrelas tão distantes,
presencio sussurros, suspiros,abraços prolongados,
sofro, me sinto só, são momentos estafantes.
mas dizem que do país eu represento o porvir,
perdido, desamparado, eu não sei pra onde ir.
Já
estive na Febem, para receber maus-tratos,
repartindo com outros a mesma dor e desespero,
lá sem amor, sem carinho, somos apenas ratos,
aquilo é a expressão cruel da falta de desvelo.
mas dizem que do país eu represento o porvir,
perdido, desamparado, eu não sei pra onde ir.
repartindo com outros a mesma dor e desespero,
lá sem amor, sem carinho, somos apenas ratos,
aquilo é a expressão cruel da falta de desvelo.
mas dizem que do país eu represento o porvir,
perdido, desamparado, eu não sei pra onde ir.
Se
alguém me adotasse, me desse um lar, um abrigo,
me desse o direito de receber do amor as migalhas,
eu ficaria feliz, por não ser mais para muitos um perigo,
e não alimentaria o sentimento de vingança dos canalhas.
mas dizem que do país eu represento o porvir,
perdido, desamparado, eu não sei pra onde ir.
me desse o direito de receber do amor as migalhas,
eu ficaria feliz, por não ser mais para muitos um perigo,
e não alimentaria o sentimento de vingança dos canalhas.
mas dizem que do país eu represento o porvir,
perdido, desamparado, eu não sei pra onde ir.
Não é
por falta de recursos, que assim me deixam ,
fazem viagens inúteis e compram avião de luxo,
fazem negociatas, compram votos, nem se queixam,
se dizem proletários, e que conhecem da miséria o fluxo.
mas dizem que do país eu represento o porvir,
perdido, desamparado, eu não sei pra onde ir.
fazem viagens inúteis e compram avião de luxo,
fazem negociatas, compram votos, nem se queixam,
se dizem proletários, e que conhecem da miséria o fluxo.
mas dizem que do país eu represento o porvir,
perdido, desamparado, eu não sei pra onde ir.
Num
futuro distante, eu espero que isso mude,
preciso ser integrado, receber amor, carinho,
mas sobretudo ter paz, esperança, não ser rude,
afastar mágoas e sofrimentos, do meu caminho.
Poderei, então, do país representar o porvir,
e não mais viver perdido, sem saber pra onde ir.
preciso ser integrado, receber amor, carinho,
mas sobretudo ter paz, esperança, não ser rude,
afastar mágoas e sofrimentos, do meu caminho.
Poderei, então, do país representar o porvir,
e não mais viver perdido, sem saber pra onde ir.
- Bernardino Matos -
