CHEGUE NA PAZ

15 de ago de 2010

Re-encontrar a auto-estima

As pessoas que foram criadas com a noção de que nasceram para ajudar e amar os outros acima de tudo sentem uma espécie de mal-estar quando o assunto é a auto-estima – talvez imaginem que seja preciso se postar diante do espelho e elogiar a própria beleza, charme, sedução. A auto-estima é algo totalmente diferente desse tipo de vaidade, e não tem a menor relação com o egoísmo e o narcisismo. Ela consiste, na essência, em sentir-se digno de amor e de respeito, independentemente de nosso desempenho e de nossas falhas. Ninguém se deixa maltratar, humilhar, rebaixar, violentar a não ser que tenha perdido o amor-próprio durante a infância, por não ter sido estimulado pelos cuidados, carinhos e olhares ternos dos pais. Essa falta de amor-próprio nos torna mais tolerantes aos maus-tratos. Sem amor-próprio, somos despojados dessa proteção que, à primeira palavra inadmissível, provocaria uma reação enérgica e irrevogável:
- Ninguém tem o direito de me tratar assim!
Os relacionamentos amorosos melhoram quando aprendemos a nos amar mais, a ocupar nossa metade na relação, exigindo ser tratados com igualdade. Sem agressividade, é claro, mas com convicção. Quando estamos seguros sobre o que nos é devido, sabemos expressar nossas posições e desejos com calma, precisão e firmeza. Além disso, precisamos saber o que queremos ou, pelo menos, o que não queremos. Quando nossa consciência nos diz que estamos dando mais do que seria racional, pode ser útil aplicar a lei ‘olho por olho, dente por dente’, que pode parecer mesquinha, mas que tem a vantagem de, pelo menos no início, estabelecer um equilíbrio na relação amorosa.Um pouco de egoísmo e de auto-afirmação torna a relação mais leve. Ninguém fica em dívida. Quando perdemos a fé no amor e em nós mesmos, precisamos recuperar a autoconfiança (saber que somos capazes de fazer) e a visão que temos de nós mesmos (ter uma noção justa de nossas qualidades e defeitos) a fim de acolhê-las com carinho. Precisamos de toda a autoconfiança para viver a felicidade de amar, mas para ser amado, é preciso antes de tudo se amar. E para inspirar o desejo, é preciso se sentir desejável.

(extraído do livro: Amores que nos fazem mal - Patrícia Delahaie)

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